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Eles podem tudo! Conheça Alemão, o DJ surdo! (Inclusão Social)

Diante de tantas lives dos famosos do Sertanejo, Samba, Pagode e Forró que estão acontecendo ultimamente (que não é tão acessível assim), um dos pontos que chamam atenção e também é alvo de piadas, críticas e memes desrespeitosos, são os intérpretes de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) que interpretam de forma teatral e expressiva todo o sentimento que aquela música diz.

Na pauta de hoje, vamos trazer alguns assuntos para quebrar esse preconceito que existe e informar o quão importante é o trabalho dos intérpretes de LIBRAS. Para isso, convidamos o DJ Weverton Sales, que é surdo e já tocou em algumas festas pelo Brasil.

Se liga nesse texto que ele postou nas redes sociais há um tempo atrás:

”Sou deficiente auditivo, não escuto e apenas sinto a transferência de energia sonora.
Me sinto orgulhoso por ser quem eu sou, pois percebi que o trance não é para se ouvir, mas sim sentir.
Quando estou na pista de dança eu não escuto nada, mas sinto tudo que vem do chão, trocando a cor da luz quando a musica é mudada, é uma forca de energia transmitida pelo impacto, impacto que reproduz a sonoridade. Uma felicidade toma conta do meu ser ao ver os gestos das pessoas, os sorrisos compartilhados, as músicas dos DJs que capricham na bassline que derrete a mente com o encaixe de cada elemento.
Quando eu fico no meio da festa eu percebo que sentir a música é intensamente inesquecível.”

 

Talvez você não saiba, mas sim, existe uma comunidade de pessoas surdas que frequentam as raves e o Weverton é a representação de que eles podem muito mais; inclusive ser DJs!

Muitos se perguntam como é possível um deficiente auditivo frequentar certos lugares como baladas, cinemas, palestras e afins sem um intérprete de LIBRAS.

Afinal, como é possível um deficiente auditivo ouvir música?

Cultura dos Surdos

Primeiramente, antes de seguir adiante, precisamos entender melhor alguns pontos importantes da cultura surda.

Esta matéria foi escrita pelo Coordenador de Conteúdos da Hï BPM, que além de se preocupar com a comunicação e acessibilidade à informação, também fez um curso de LIBRAS pela PUC-SP, o que o ajudou a entender um pouco melhor esse universo. Então se prepara que lá vem aulinha de inclusão social, cultura do Psytrance e cultura surda!

Este é um assunto bastante extenso e difícil de se resumir apenas em uma matéria, mas é muito importante discutirmos sobre acessibilidade em um país que não é acessível às pessoas com necessidades especiais. Nós não aprendemos na escola como se comunicar com um surdo, mas aprendemos inglês, português (e várias coisas com os colegas). Muitos não sabem a diferença entre Surdo e Deficiente Auditivo, nem que um surdo não precisa ser necessariamente mudo.

Em alguns lugares do mundo a Linguagem de Sinais já é ensinada em algumas escolas públicas. Aqui no Brasil, algumas escolas ensinam por conta própria, mas ainda não é um programa do Governo Federal e acreditamos que está longe de ser.

Se, por um acaso, você quiser aprender LIBRAS, você pode baixar alguns aplicativos no seu celular como o Hand Talk, SENAI LIBRAS, ou fazer um curso presencial (que na nossa opinião é mais eficaz e interessante).

Você sabia que existe diferença entre surdo e deficiente auditivo?

Deficiente Auditivo é a pessoa que por motivos genéticos teve perda total ou parcial da audição; já uma pessoa surda, é aquela que não ouve absolutamente nada, não necessariamente por causas genéticas. Existem outras situações intermediárias, mas para não confundir tanto, neste momento vamos definir em apenas dois termos.

Alguns não sabem ler, outros conseguem falar com certa dificuldade. Já outros conseguem falar, ler e entender perfeitamente através da leitura labial.

Os surdos não usam apenas LIBRAS para se comunicar. Eles também fazem a leitura das legendas (quando é colocada), transcrição instantânea e leitura labial.

Cada caso é um caso.

Existem muitos outros termos e diferentes tipos de pessoa com deficiência, mas não vamos nos aprofundar tanto neste momento para não ficar tão confuso.

Caso você tenha interesse em aprender mais sobre isso, entre em:

desculpenaoouvi.com.br

surdosqueouvem.com

Conversamos com Weverton para entender melhor alguns pontos importantes e como ele se tornou DJ, mesmo sendo surdo. Se liga nessa história!

 

Weverton Sales – ALEMÃO

Weverton Sales é um DJ nascido em 1993. Aos 14 anos de idade ele contraiu a doença Meningite, que devido às complicações, afetou totalmente sua audição. Ele sofre de uma surdez bilateral neuro sensorial profunda, ou seja, se enquadra como ‘’surdo’’ e não ouve absolutamente nada.

Um dos pontos que fazem com que ele consiga ser DJ hoje em dia é por ter desenvolvido sua comunicação normalmente até os 14 anos de idade com fala e audição. Isso fez com que, após o incidente, ele continuasse a desenvolver seus sentidos para aperfeiçoar o que já tinha aprendido. Cada caso é um caso, e no caso dele isso mudou totalmente a forma como ele se comunica hoje.

Para a elaboração dessa matéria, conversamos com ele por mensagens de Whatsapp e nos surpreendemos quando ele mandou um áudio com a voz nítida. Conversamos mais e entendemos todo esse processo de aprendizagem que o faz um vitorioso!

Weverton é DJ desde 2016, já tocou na ultima edição da Aslam, na Euphoria, Psychedelic e várias outras festas pelo Brasil. Ele aproveita de sua hipersensibilidade auditiva para sentir a musica de forma única, transmitindo através dessa superação a alegria por realizar seu maior sonho.

 

Estima-se que no Brasil existam cerca de 10 milhões de surdos. Isso é o equivalente a quase 5% da população brasileira! Bastante gente, né?!

Não sabemos ao certo quantos surdos frequentam as raves, mas sabemos que existem sim várias pessoas que frequentam esses espaços. Existem, inclusive, baladas especiais para surdos e uma rave para surdos no Reino Unido.

Entrevista

Conversamos com o Weverton para conhecer a história dele, entender um pouco mais sobre a cultura surda, tirar algumas dúvidas, quebrar alguns tabus que nós temos e levantar bandeira para a inclusão social!

Confira!

Hï BPM: Weverton, primeiramente, obrigado por falar com a gente! Achamos incrível sua história e por isso queremos levantar essa bandeira da inclusão social! Como foi o seu primeiro contato com a musica eletrônica?

Weverton: Então um amigo me chamou pra um evento de música eletrônica, nunca fui fã, mas como sou surdo, não esquentei… Fiquei na tarde de domingo com cerveja e piscina.

Hï BPM: Em que momento você decidiu que era hora de ser profissional da música? O que te motivou?

Weverton: Quando eu entendi que através da teoria musical que eu já tinha adquirido antes se encaixava nos estudos de mixagem. Aprendi a entender as notas pelo impacto. O que me motivou rss… De início foi uma brincadeira, um amigo DJ estava tocando em uma resenha da galera e eu peguei pra tocar zoando (por ser surdo), foi engraçado, dessa brincadeira acabei criando um interesse maior, e quando fui ver já passava 2, 3 dias sem dormir estudando.

Hï BPM: A gente imagina que não deva ser fácil tocar na CDJ e fazer as viradas perfeitas. Uma curiosidade: como você se adaptou ao ritmo do som para fazer as viradas e comandar as pistas por aí?

Weverton: Na verdade pra fazer uma mixagem o que você precisa é mais de conhecido de escala musical, no caso respeitar o tom da track que está sendo tocada e mixar com uma que tenha a mesma tonalidade ou que se encaixe na escala. Isso faz com que a música deslize e a pista não perceba a troca de track, compreende?!

Hï BPM: Como foi o processo de aprendizagem da profissão?

Weverton: Foi difícil, imagina um surdo estudando música, é bem estressante haha. Tinha dias que eu esquecia até de comer,  única coisa que eu comia era o virtual DJ na época. Mas hoje em dia muita coisa tem disponível nas plataformas online, dá pra tirar bastante dúvida pela internet e eu tenho muitos amigos DJs. Meu professor também sempre disponível pra tirar algumas dúvidas… As coisas fluíram, graças a Deus!

Hï BPM: Você já viveu alguma situação inusitada ou algum momento especial dentro da cena e que você gostaria de compartilhar com a gente?

Weverton: Em 2017, na Euphoria foi algo bem louco. Eu ganhei o new talent daquele ano. A excursão abandonou a gente,  cheguei lá em cima dá hora, o palco tava dando choque, não deixaram eu subir. Depois de um tempo eles resolveram, eu subi no palco e abriram o portão. Agora imagina 8 mil pessoas entrando no sítio e você tocando, o pessoal vindo correndo pro front. No meio daquela galera eu consegui avistar alguns amigos também, foi algo incrível, um momento muito único pra mim como profissional.

Hï BPM: O que você acha das lives que estão colocando intérpretes de LIBRAS ao vivo para todo o Brasil?

Weverton: Algo muito produtivo, um progresso imenso… compreender que precisamos dar acessibilidade de informação a comunidade surda é fundamental.

Hï BPM: Como você acha que a acessibilidade e inclusão pode melhorar dentro da cena Psytrance? E fora dela?

Weverton: Segundo a OMS, dados de 2011, 1 bilhão de pessoas vivem com alguma deficiência, isso significa uma em cada sete pessoas no mundo. O que quero dizer com isso é que se faz mais do que necessário lembrar que nem todas as pessoas são iguais, ter o carinho de preparar um  espaço que possa passar um cadeirante, lembrar de uma informação importante escrita em braille para que uma pessoa parcialmente cega ou totalmente cega possa ter acesso, lembrar de por atendentes e funcionários que falam em libras para se comunicar com as pessoas surdas. Isso tudo é bastante necessário, não é incomum, pessoas com deficiência é algo muito comum!

Hï BPM: Para você, qual a importância do intérprete de LIBRAS para a cultura surda?

Weverton: Absurdamente necessário! Sem um interprete de libras o surdo não consegue se comunicar, é como viver em um pais que ninguém fala sua língua. É bem complicado! A mensagem que deixamos é: todos nós somos capazes de sermos o que quisermos ser. Não existem limites para o que é de nossa verdade interior. Além disso, a inclusão social e os investimentos em acessibilidade ainda precisam ser reavaliados para uma sociedade com mais inclusão e menos preconceito.

Reavalie suas ideias!

Obrigado Weverton pela atenção e disposição em seguir adiante com essa pauta!

Juntos somos mais fortes!

 

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