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Por Trás da Tenda #2: Conheça Martin Shankar, um artista visual de tirar o fôlego!

No segundo episódio da nossa série Por Trás da Tenda, convidamos um dos artistas visuais mais emblemáticos, originais e expressivos da cena Psytrance Nacional: Martin Shankar.


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O artista já se apresentou em Raves e Festivais do Brasil inteiro como Universo Paralello, Ressonar, Zuvuya, Boikot, Terra em Transe, INSANNO, Pachamama, Santa Liberdade, ZIOHM e muitos outros.

Por onde ele passa, chama atenção do público com sua arte, seus figurinos muito bem elaborados e suas intervenções de tirar o fôlego! Uma super produção que merece destaque aqui na Hï BPM!

Reprodução: Arquivo do Artista

‘’Arte com peso é mais gostoso. Não é pra agradar.’’

Essa foi a frase dita por ele referente sua apresentação chamada Terra Sangra, que iremos mostrar ainda nesta matéria.

Natural do sul da Bahia, Shankar é um Artista Visual que carrega uma mistura ancestral gigantesca que envolvem muitas culturas e ideologias.

‘’O discurso do ‘preto e branco’ não me representa. Eu nasci num berço de várias identidades étinicas, na cidade de Eunápolis, originada de fortes influências de povos indígenas (Pataxós, Camacãs, Tupinambás), brancos, ciganos e negros.’’

Reprodução: Arquivo do Artista

Em suas apresentações, Shankar faz intervenções corporais e vocais com cantos, poesias, dublagens, atuações e interpretações. Atua principalmente em festivais e raves compartilhando e semeando a cultura psicodélica para conscientizar, trazendo a arte não apenas como entretenimento, mas como objeto de educação e conscientização.


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As intervenções são voltadas para a natureza e ele trabalha com base em sua militância ecológica, cultural, de gênero e sexualidade.  A multiculturalidade e transformações durante as intervenções buscam refletir sobre o afastamento do homem com a natureza e temas como o racismo, a homofobia, o preconceito estético e a intolerância religiosa.

Reprodução: Arquivo do Artista

A história de vida do artista diz muito sobre a qualidade e a entrega que ele demonstra ao se apresentar e isso tem o poder de levar quem assiste a sentir de forma consciente.  A empatia que ele tem com os temas abordados gera uma arte visceral despertando sentidos profundos e carregados de militância, trazendo visibilidade para vários temas aos quais ele busca apresentar. É uma arte que sai do campo de entretenimento e se aprofunda às críticas sociais.


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INTERVENÇÕES DE DESTAQUE

Maha Kali e Shiva

Uma de nossas apresentações favoritas para escrever essa matéria foi a de Shiva e Maha Kali. Shankar publicou um texto maravilhoso em suas redes sociais. Tão maravilhoso que não podemos tirar UMA letra!

Vejam como sua arte é bem feita, explicada e interpretada com a alma!

Reprodução: Arquivo do Artista

‘’Os significados profundos da imagem de Maha Kali em cima de Shiva:
Maha kali é cônjuge do Senhor Shiva. Ela é uma divindade. A Deusa da totalidade, absoluta em si mesma, portadora do Tempo que protege e ao mesmo tempo consome seus próprios filhos.
A deusa Kali quase sempre é vista ajoelhada aos pés de Shiva, seu marido. No entanto, na imagem acima, ela é representada pisando em Shiva, e não é apenas um engano. Existe uma história que justifica isso.
De acordo com a história, Kali se sentia furiosa com os erros e injustiças que com tanta frequência eram cometidos na Terra. Por conta disso, ela queria terminar o mundo, e começou Tandava, uma dança poderosa para aniquilação do mundo
A dança começou a provocar terremotos e destruições, e todos procuravam por abrigo, mas Kali não parava, sua fúria a tornava implacável.
Era compreensível que o mal tinha atingido um ponto crítico e precisava ser controlado, porém nem todas as pessoas mereciam ser punidas pelos erros de apenas algumas. Quando se incomoda a Mãe Natureza, ela se enfurece tremendamente e as consequências são imensuráveis. Shiva, marido de Kali, sabia disso e por isso deitou em seu caminho, acreditando que isso a impediria de seguir com seu plano de fúria. Kali então pisou em Shiva, e logo percebeu que era seu marido e se acalmou.
A sua esposa interior emergiu e então ela faz um carinho com a língua em Shiva, como um pedido de desculpas. Dessa maneira, a destruição total foi evitada.
Podemos fazer uma analogia dessa história com nossas próprias realidades. Muitas vezes estamos em situações de vida críticas em que perdemos o controle de nossas emoções e atitudes. Motivados por uma fúria, agimos com propósito de destruição, sem considerar o verdadeiro resultado de nossas ações e arriscando destruir belas coisas que conhecemos desde que chegamos a essa mundo.
Se você já tem esse alguém, valorize acima de tudo. Se ainda não tem, trabalhe essas qualidades em si mesmo e logo aparecerá alguém iluminado em seu caminho.’’

Reprodução: Arquivo do Artista


Terra Sangra

Performar é trabalhar a realidade e não a ficção, por isso Shankar faz uma arte mais pesada do que as que são vistas em geral nas festas.

Em uma de suas apresentações mais artísticas, chamada Terra Sangra, Shankar trouxe à tona uma imagem que choca e atrai olhares de diversas pessoas que julgam, criticam ou aplaudem. Muita gente não entende nada quando para em frente a um quadro em um museu de arte contemporânea. É preciso parar, analisar e entender qual pensamento e sentimento o artista quis passar. Que seja uma cadeira parada em uma sala branca. Arte é arte; e para entender Terra Sangra é preciso parar e observar.

Reprodução: Arquivo do Artista

Nesse ato das imagens o artista utilizou o lixo que o público como seres irracionais jogavam no chão, com a pista completamente cheia de lixo e cansado de usar a arte para entreter, ele usa as garrafas, plásticos , e outros objetos que encontra na pista, dando vida ao MONSTRO QUE O PÚBLICO CRIOU. Shankar no início de suas performances focava em entreter, fazer fogo para emocionar e arrancar suspiros, mas percebeu a necessidade de usar a arte como arma para conscientizar certos atos cotidianos nas festinhas. E sim, embora o lixo apareça quando ele performa, as pessoas começam a recolher os lixos em coletivo e é lindo !

O que você acha que ele quis passar com essa apresentação?

Shankar vai além de divertir e emocionar, ele percebeu a necessidade de usar a arte como arma para conscientizar atos habituais nas festas. O impacto gera a mudança quando, por exemplo, as pessoas começam a recolher o lixo que está em volta.

É uma espécie de integração das coisas que lhe fizeram, que o transformou num ser multicultural com uma demanda enorme de pautas atuais.

Reprodução: Bruno Camargo

Shankar também é organizador de uma festa chamada MONXTRA!

A Monxtra nasceu em formato Techno/Trance na esperança de agregar públicos diferenciados da esfera do Underground nos estados de São Paulo e Bahia . É executada por artistas/produtores e construtores, LGBT’s e Negros,  buscando conforto a todos os tipos de corpos. Ênfase para essa parte, pois sabemos que a maior parte das produções não são feitas por pessoas negras e LGBT’s.

A Monxtra é um grito de resistência, um borrão experimental idealizada especialmente para  todos os freaks, aliens, bruxas, degeneradas e monstruosas. Um lugar onde existe liberdade de expressão sem que a regra normativa /cisgênero possa condená-los com olhares e julgamentos como acontece em vários outros ambientes.

Reprodução: Arquivo do Artista

Shankar é pura arte!

É política!

É a arte que desvenda nossos olhos e mostra as realidades que ninguém consegue ver. É a consciência que tira o véu de quem não consegue enxergar.

Obrigado Martin, por colaborar com a arte e com a Hï BPM!

Eai, gostaram?!

Em breve tem o terceiro episódio da nossa série Por Trás da Tenda!!

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