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Mulheres do Psytrance: #4 Destaques na Produção Artística

Chegamos a nossa quarta matéria na série “Mulheres do Psytrance“, onde objetivamos apresentar para vocês nossas rainhas, que combatem diariamente as dificuldades e duelam com nobreza para alcançar o seu espaço. Queríamos poder falar de todas vocês, mulheres, que estão na cena e que possuem a capacidade natural de tornar tudo mais encantador. Mas fomos em busca das melhores para representar aqui a força de cada uma de vocês.

Hoje apresentaremos o trabalho de duas Produtoras Artísticas que são exemplos para muitas que também atuam ou desejam atuar nessa área.

Para que vocês entendam um pouco sobre esse campo, a Produção Artística é fundamental para a carreira de um DJ, ou de uma banda, por exemplo. No cenário Psytrance brasileiro, a produtora domina diversas modalidades, inclusive logística. Organizar toda a pré-produção, verificar voos, hospedagem, visita técnica, estar envolvida em tudo sobre a apresentação do artista faz parte da rotina delas.

Convidamos a Taty Cardoso e a Ana Silva para falar um pouco sobre o trabalho que elas exercem, e também sobre as mulheres no atual cenário, falamos sobre preconceito e ao final nossas entrevistadas deixaram um recado para as manas que também desejam atuar nesse ramo.

Boa leitura!


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Taty Cardoso

Taty Cardoso é uma daquelas mulheres que representam força, garra e ação. Ela trabalha com eventos desde 2010 e iniciou sua trajetória no cenário da música eletrônica em 2013. Atualmente Taty é Produtora Artística do Paranormal Attack e já atuou com artistas nacionais, entre eles DZP, Gottinari, Harmonika, e internacionais como Infected Mushromm e Skazi, da Infinite Bookings. Ela também trabalha como Produtora Artística freelancer em diversos gêneros“Meu trabalho é cuidar de tudo relacionado ao Artista, com relação ao seu showtime. Se existe uma gig bookada, meu trabalho inicia com a pré-produção. Dependendo do Artista (como o Paranormal Attack, Skazi e Infected, por exemplo), podemos explorar um pouco mais o cenário. Em conjunto com o Produtor Musical podemos elaborar algumas ações de marketing, ver a agenda de lançamentos, collabs e afins”.

Taty iniciou sua carreira fazendo logística de artistas nacionais, depois passou a prestar serviços em coordenação de bar e staff, backstage e camarins “Começou a rolar legal e fui Coordenadora de backstage em diversos shows e festivais. Entre eles, Rolling Stones, Ozzy Osbourne, Anitta e comecei a pegar com frequência o camarim do Alok, apesar de já fazer a logística e touring dele pela Plus. Comecei a amar a Produção Artística e queria saber mais. Queria aprender como que tudo aquilo acontecia. Fiz vários cursos e me aperfeiçoei. Um dia fui chamada pra trabalhar com o Alok. E nessa conversa, entrei para a Artist Factory, onde era a responsável pela logística dos artistas da agência e Produtora Artística dele. E foi dali que entrei de vez para o cenário eletrônico. Dali vieram mais projetos legais pra ser a Produtora Artística de alguns artistas como: Fabio Fusco, Devochka e Sevenn (onde continuo em paralelo)”.

Reprodução: Diego Jarschel

Nossa diva já trabalhou em diversas áreas relacionadas a eventos, como sampling, trade marketing, corporativo, bookings, assessoria, alimentos e bebidas, backstage e também logística. Está sempre à procura de novos desafios e de expandir seus conhecimentos para outras áreas, por isso o substantivo “ação” a define bem “Atualmente iniciei outro desafio que é fornecer curso para a galera que atua nesse meio, está caminhando, mas também já está com bons resultados”.

Quando perguntamos sobre as dificuldades e o preconceito com as mulheres nesse meio, ela é bem objetiva “Muitas vezes precisamos fazer o dobro pra provar algo. Quantas permutas eu fiz para poder provar a capacidade de entrega hahahaha. Mas vejo também que isso está mudando, podemos perder um pouco na questão ‘braçal’, mas ganhamos em agilidade, carinho e sermos multitarefas”.

A paulista acrescenta ainda que acredita na mudança de cenário e sucesso das mulheres no atual mercado da música eletrônica “Quando comecei, era bem gritante a diferença. Hoje em dia, vejo até mesmo pelos cursos que fiz ou nos jobs, está bem meio a meio. Eu acho isso lindo! Temos exemplos no mercado de agências e equipes de estrada, que são só de mulheres”

Taty defende que o caminho para maiores conquistas é a união “Acredito muito que, dar as mãos soma mais do que empurrar. O dia que todos entenderem isso, todo mundo vai voar muito mais alto”. E completa “Não existe coisa mais gostosa do que todo mundo trabalhando em conjunto para que o show seja entregue legal”.

Fica claro o amor pela profissão e sua coragem para explorar novas atmosferas “A Produção Artística é onde me sinto bem, mas se houver um job legal em outra área, não vejo mal algum em aceitar. Banda é algo que sinto muita falta, o cenário é completamente diferente. Mais desafiador eu acho”.


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Para finalizar, ela deixa um recado de inspiração para as mulheres que atuam ou que gostariam de atuar nesse ramo:

“Não desistam. Nunca. Ache a sua gasolina e não pare até conseguir. Conseguiu? Se especialize, veja no que pode melhorar. Tudo isso, com amor pelo que se faz, não tem erro ❤”.

Reprodução: Indie Click

Ana Silva

Ana Silva é a nossa segunda convidada de hoje, ela é Produtora Artística do DJ Mandragora, e atua também na Season Bookings. Além da parte de produção, ela cuida também da organização das tours internacionais e nacionais, cachê, e também a seleção dos eventos onde o Mandragora se apresentará “Faço a logística do casting da Season Bookings e nos finais de semana faço Road pro Mandragora quando ele está no Brasil, e para o casting de artistas da Season.”

A vida da Ana é bem agitada, ela compartilhou conosco um pouco sobre a sua rotina “Durante a semana faço todo o processo de emissão de voos, cuido da parte de hotéis e motoristas para que nos finais de semana ocorra tudo de acordo, para o Mandragora além da parte de logística faço toda a pré-produção, cuidando também da parte de efeitos, iluminação, line-up, camarim entre outras. Durante os finais de semana quando não estou em tour estou acompanhando os artistas que estão viajando caso ocorra algum problema. Basicamente trabalho todos os dias”.

A paulistana atua há cerca de 6 anos na cena, revela que tudo aconteceu por acaso em sua vida. Foi através de um amigo que ela ingressou no meio artístico da música eletrônica e nunca mais saiu “Comecei por diversão, meu amigo era DJ e Booker da Season, e eu sempre ia aos eventos com ele e com os DJs internacionais, acabei virando amiga de alguns deles e depois de um tempo comecei a trabalhar, dirigindo pelo interior de SP e Minas, fiquei uns dois anos assim e trabalhando durante a semana num trampo normal, depois passei a ser Road de alguns artistas internacionais, viajando com eles pelo Brasil e então recebi o convite da Moon e do Mack pra trabalhar com eles, com o Special M, e com o Mandragora, auxiliando na logística junto à agência e comecei com Produção e há pouco menos de um ano entrei pro time de logística da Season”.

Ana sente-se confortável em atuar na Produção Artística “Pra mim é bem natural, porque sempre estive no meio, já fui público por muito tempo, quando a cena deu uma diminuída fazíamos PVT’s pra não deixar a cena morrer, sempre tive ao meu redor DJs gringos e os nacionais, então as coisas foram meio que acontecendo naturalmente”.


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Sobre o processo de aprimoramento em sua área, ela revela que sempre foi em busca de novos aprendizados e nunca teve medo do desconhecido “Hoje ainda estou em processo de evolução e principalmente de aprendizado, a maior parte das coisas que faço hoje fui aprendendo ao longo do caminho, tive pessoas ao meu lado me dando suporte, tenho apoio dos DJs e de muita gente da cena e nunca tive medo de dizer que não sabia, mas que queria aprender e até hoje tem muita coisa que não sei, mas sigo disposta a aprender e evoluir sempre”.

Ana diz que nunca passou por nenhuma situação de desconforto em relação ao seu trabalho, pois sempre esteve rodeada por pessoas de confiança “As festas em si já carregam consigo uma energia do bem, claro que muita coisa acontece, mas comigo nunca aconteceu, até porque a gente fica meio que protegido, você chega com os DJs, os donos dos eventos, seguranças, pessoal que trabalha sempre estão ali dando todo suporte, comigo nunca aconteceu nada e também nunca vi acontecer, mas a maioria do pessoal que tá ali são amigos, pessoas que vejo sempre, alguns são amigos pessoais”.

Quando abordamos o tema intolerância, em relação às mulheres atuarem em espaços que antigamente era dominado apenas por homens, a diva concorda que é uma realidade, porém salienta a importância das mulheres em diversas áreas que atuem “Sempre existe, mas todas as mulheres que trabalham na cena que eu conheço são mulheres muito empoderadas e seguras de si, e no final das contas os homens precisam das mulheres pra fazer as coisas funcionarem. A parte de logística hoje, por exemplo, da maioria das agências são feitas por mulheres muito capazes, porque é um trabalho que requer atenção, cuidado e uma resolução rápida de problemas e acredito que as mulheres se sobressaem nisso e, claro, em tantas outras áreas e creio que os homens admitem isso”.

Perguntamos para nossa guerreira se ela já viveu algum momento marcante, ou presenciou alguma situação engraçada, durante sua trajetória nos bastidores, e ela revela “Um momento emocionante que eu citaria hoje, sem sombra de dúvidas foi o Mandragora no Rock in Rio do ano passado, passamos meses tensos com a apresentação, ficamos tensos no dia, mas quando entramos lá o sentimento era um só; de dever cumprido, emoção e muita alegria. Jamais me esquecerei. Sobre situações engraçadas; recentemente cheguei com o DJ pra tocar num evento e não tinha CDJ, ficamos duas horas esperando a CDJ chegar, não tinha o que fazer e só restou rir da situação, mas já vi DJ caindo no palco, já vi DJ com dor de barriga, várias histórias”

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Ao final, Ana deixa um recado para as manas da cena que sonham em atuar na área de Produção Artística “Olha, não é fácil, nosso trabalho requer muito esforço e dedicação, mas não é algo impossível de conseguir, basta querer e fazer por onde, assim como em todos os ramos, é um longo processo e querer começar de cima não é opção. Então basta querer e correr atrás dos seus sonhos que você irá realizá-los e digo isso porque já realizei vários e sei que posso ir muito mais longe do que estou hoje e se eu posso, qualquer pessoa pode!”.

“É questão de tempo para sermos um número maior e termos voz igual!”

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