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Mulheres do Psytrance: #2 Destaques na Fotografia

Para homenagear o Dia Internacional da Mulher que foi comemorado dia 08 desse mês, nós preparamos o “Mulheres do Psytrance“, uma série de matérias especiais contando um pouco da vida e carreira de grandes mulheres e profissionais do mundo do trance.

A mulher vem ganhando cada vez mais espaço na nossa sociedade no geral, e no trance não é diferente. Espaços que antes eram dominados por homens, agora já possuem grandes nomes de mulheres se destacando, para que isso continue a acontecer precisamos dar voz a essas mulheres para entender e expandir o movimento de empoderamento feminino também dentro da cena Psytrance.

Na matéria de hoje vamos falar sobre fotografia, convidamos duas fotógrafas que estão se destacando nas festas nos últimos anos, para falar um pouco sobre carreira, vida pessoal e sobre o papel da mulher no trance atual. Vem conferir com a gente…

Por: Carol Veloso


Carol Veloso

A fotografia é uma das manifestações artísticas mais presentes dentro da cena trance, registrar os melhores momentos do rolê, fazer aquela selfie com os amigos ou tirar a tão sonhada foto com o seu DJ preferido, estão entre os principais motivos pelos quais gostamos de ter uma câmera sempre a postos. Com tanta coisa legal para registrar nas raves e festivais, a profissão de fotógrafo se tornou tão importante quanto qualquer outra dentro deste cenário. Grandes fotógrafos desenvolvem sua carreira no trance por registrar momentos mágicos de uma festa com sensibilidade e olhar único.

Carolina Veloso sempre gostou de fotografar, contou para a Hï BPM que tem registros e arquivos desde 2007. Ela gosta da sensação de conseguir fazer uma viagem no tempo através dos registros fotográficos. Carol cresceu em São Carlos e no inicio fotografava por hobby, quando entrou na faculdade não foi diferente, sempre esteve envolvida com eventos culturais, teatro, movimentos sociais, shows e etc. Tempo depois recebeu convites para fotografar em baladas, ao final de 2015 para 2016, a partir daí começou profissionalmente a ganhar dinheiro com a fotografia, mas ganhava bem pouco no inicio “Foi um período onde desenvolvi muito a parte técnica, pois fotografava em condições adversas, como por exemplo, locais com pouca luz.”

 Nós que frequentamos as principais festas sabemos que a maioria predominante nos coletivos fotográficos é homem, é necessário ter muita força e posicionamento para se destacar sendo mulher em um ambiente majoritariamente masculino, nossa entrevistada contou que esse desafio para ela foi encarado com mais facilidade “Eu fiz faculdade de Engenharia, sempre estive em ambientes muito masculinos, na minha sala tinham umas 10 mulheres numa turma de 50 alunos, o resto era homem, o curso me preparou para estar num ambiente muito machista e isso me tornou uma pessoa que se posiciona bastante.”

A fotografia veio antes do trance na vida de Carol e ela revelou como nasceu essa paixão que tem relação muito forte com o local onde ela cresceu. A vivência numa cidade pequena de interior despertou um olhar sensível para a vida desde nova, “A minha mãe me ensinou a olhar para as coisas, eu tive uma infância muito de interior mesmo, eu sinto que isso foi fundamental na construção do meu olhar artístico, pois eu tinha tempo para contemplar as coisas, eu gostava muito de documentar e ter memórias desses momentos… eu sentia que vivia num lugar bonito, poético e na minha adolescência também tive processos pessoais de tirar foto de mim mesma e perceber a minha beleza através das fotos, descobri a paixão pela fotografia quando vi que isso era uma ferramenta que me fazia bem.” 

Por: Carol Veloso

A vida profissional de Carol começou em baladas e seguiu nesse meio por aproximadamente três anos até entrar efetivamente no trance. Por decisão pessoal ela se desinteressou desse ambiente “Cansei do ambiente de balada, lidar com publico bêbado invadindo meu espaço foi ficando complicado, aconteciam casos de assedio, caras me empurrando, puxando pelo braço, isso foi me cansando, pois não me sentia representando a realidade, nas fotos parecia tudo maravilhoso, mas a realidade por trás da câmera era outra.”

Ao entrar no mundo do Psytrance, Carol viveu exatamente o oposto do que vivia na época que trabalhou em baladas “Decidi fotografar a cena porque eu vi uma oportunidade de demonstrar uma coisa mais verdadeira, representar a realidade. Quando conheci o trance me apaixonei muito pelas cores, pelas artes, pelas pessoas, pelo respeito que existia envolvido, isso me motivou.”

Por: Carol Veloso

Apesar de se libertar do que incomodava na vida noturna das baladas, ao entrar na cena, Carol teve mais liberdade e compromisso com a realidade por trás das câmeras, mas é importante ressaltar que o trabalho não virou um mar de rosas. Assim como em outras profissões, ser mulher custa um esforço e uma luta bem maior.

Falamos sobre o preconceito para conquistar o espaço que ela tem hoje e descobrimos que é uma realidade obvia “As pessoas não enxergam você tão boa quanto os homens, geralmente formam na cabeça um estereótipo de que um fotógrafo bom é um cara branco, tatuado, todo vestido de preto e hétero na maioria das vezes rsrs, isso já é reflexo do machismo, os fotógrafos homens também tem muito a questão da broderagem entre eles, de ficar apoiando um ao outro, e a própria mulher dentro desse meio acaba sendo deixada de lado, ás vezes parece que eles não conseguem lidar muito bem com o fato de apoiar mulheres. Num geral existe sim esse preconceito, não é a toa que tem muito mais homens do que mulheres. Podemos falar também da questão da mulher ser sexualizada e erotizada em muitos ambientes que são dominados por homens, eles acham “da hora” uma mina que faz foto não pelo trabalho dela, mas por ser uma mulher na função.” 


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Quando falamos de feminismo, mas não só disso, como também de outros temas de combate social como o racismo e homofobia, é inevitável surgir polêmica e debates, pois estamos falando de questões sociais e estruturais, e para falar com propriedade sobre tudo isso é necessário conhecimento. Quando falamos sobre o machismo estrutural que se fortalece socialmente com a cultura do patriarcado, o combate a isso torna-se muitas vezes mais difícil para as mulheres.

Se questionar sobre existir intolerância, por parte dos homens que trabalham na cena em relação ao trabalho das mulheres que exercem a mesma função, é algo recorrente. Carol comentou sobre isso com a gente “Sim é uma questão estrutural que está na cabeça dos caras, eles tem uma dificuldade em conseguir valorizar o trabalho feminino, por exemplo, quando um cara posta um trabalho vai um bonde de homens comentar na foto, elogiar, apoiar e quando é o trabalho de uma mulher não rola a mesma intensidade na valorização. Isso entra muito na questão da broderagem que já falei, vejo até alguns caras na cena tentando mudar isso, fico feliz em ver os que compartilham e apoiam, mas isso precisa evoluir”. Ainda falando sobre machismo estrutural Carol complementa “Os homens propagam certo padrão de beleza, aquela mulher siliconada, magra, cabelo liso e tal… porque muitas vezes o próprio olhar masculino acaba sendo machista e preconceituoso e tende para isso. Desconstruir esse padrão é um trabalho nosso no coletivo da sociedade”.

Conheça o trabalho de Carol Veloso clicando aqui.


Jéssica Borges

Nossa segunda entrevistada foi a fotógrafa Jéssica Borges, que diferente de Carol, conheceu o trance antes de virar fotógrafa, mas as duas coisas se cruzaram em um momento de sua vida. Ela tem uma rotina com muitos afazeres, realidade de muitas mulheres na nossa sociedade “Eu sou professora de educação infantil, e trabalho quase que em tempo integral, de manhã eu dou aula numa creche municipal, fazem sete anos, de tarde eu faço estágio numa escola de ensino fundamental, e de noite eu faço faculdade pública de pedagogia.”  

Como deu para perceber, tempo livre não é algo comum na rotina de Jessica, ela revelou que não sobra muito tempo de lazer devido à rotina atarefada, aos finais de semana ela viaja para fotografar raves e festivais, então acaba se divertindo por lá mesmo “Eu me formo esse ano, então quando tenho tempo livre estou escrevendo o TCC ou dormindo.”

Por: Jéssica Borges

O mercado de trabalho é mais rígido com as mulheres do que com os homens. Para acessar altos cargos as mulheres precisam passar por uma espécie de provação moral bem rígida para que sejam consideradas “iguais” aos colegas de profissão homens. Isso acontece de maneira praticamente inconsciente. 

Jessica também comentou sobre essa estrutura machista na sociedade “Não existem muitas mulheres que tenham uma posição de destaque comparando com os homens, pois acho que falta espaço primeiramente, e muitas mulheres acabam vendo a cena de forma nua e crua e não aguentam a pressão, porque não é fácil estar com homens o tempo todo. Acho que tem muita mulher top por aí fotografando esperando seu momento.”

 E pegando o gancho do assunto, quando falamos em assédio podemos ver que é uma realidade mais presente do que se imagina. Nas palavras de Jessica: “Sendo mulher no geral o assédio vem de todos os lugares possíveis, dentro e fora da cena. Ser mulher não é fácil não rs. Dentro de cena já aconteceu de eu ser assediada com palavras de baixo calão, frases obscenas, propostas indecentes. Já aconteceu comigo de sair de um evento chorando após ouvi coisas horríveis de um homem que também fazia gestos obscenos para mim. Enfim é difícil ser mulher, numa sociedade machista e retrógrada.”

Por: Jéssica Borges

Além de ter que lidar com as questões do machismo existem outras dificuldades no mundo da fotografia, ela contou que é muito difícil conseguir uma abertura principalmente sem ter uma indicação ou conhecer alguém do ramo “A maior dificuldade é mostrar que você é capaz. Tem muitos fotógrafos bons na cena, muita gente com trabalho bacana. No meu caso foi tudo conquistado com muita luta e suor e até hoje eu tenho tentado conquistar meu espaço porque sinto que ainda não tenho tanto reconhecimento mesmo sendo esforçada e dando meu máximo. É muito difícil entrar no meio, se hoje as pessoas sabem meu nome ou conhecem meu trabalho, é resultado de muita persistência, e anos de rolês pedindo espaço, fazendo do meu próprio bolso no começo pra poder fazer arte e mostrar meu potencial.”


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Além da fotografia na cena, Jessica já fotografou um pouco de tudo, gosta muito de fazer ensaios femininos e de bebês. No momento tem aparecido mais trabalhos em raves e festivais, mas ela ainda segue com trabalhos paralelos.

Como artista e fotógrafa ela acha que as mulheres ainda não têm liberdade de se expressar livremente na cena e conta que isso é uma conquista “Tijolo por tijolo como numa construção, demora um tempo pra acontecer de fato. As pessoa não conseguem ver um corpo nu feminino que já sexualizam. Aconteceu até em um evento recente uma intervenção sobre isso. Respeita as minas gente! Não é não! No futuro quem sabe podemos ter essa liberdade respeitada de fato” finaliza a fotógrafa.

Conheça o trabalho de Jéssica Borges clicando aqui.

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