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Mulheres do PsyTrance: #1 Destaques na Organização e Produção de Eventos

Na década de 1970 a ONU oficializava a data de 08 de Março como o Dia Internacional da Mulher. A criação da data foi influenciada por vários eventos que revelam a força das mulheres na luta por seus direitos, entre os determinantes estão: o incêndio na fábrica de roupas Triangle Shirtwaist (1911, Nova York) e a marcha das mulheres russas por pão e paz (1917, Rússia).

A força da união feminina é há anos responsável por suas conquistas ao longo da história. A dificuldade é uma realidade, mas cada vez mais as mulheres tem ganhado força e voz.

As mulheres têm se sobressaído em todos os cantos e o nosso cenário não fica de fora. No mundo da música eletrônica muitas divas têm se destacado e dando aula de competência, conquistando o espaço que deseja e assumindo cargos de liderança, com cada vez mais frequência.

No dia da mulher, nós resolvemos prestar uma homenagem para as manas do trance, iniciando hoje a Semana Especial das Mulheres. Vamos apresentar diversas áreas da cena onde nossas guerreiras lideram com destaque, afinal, que temos DJs representando no comando da pista, todos nós já sabemos, mas nos bastidores elas também dominam.

Entrevistamos algumas produtoras e organizadoras de eventos, que de alguma forma estão envolvidas e que contribuem para a realização de grandes festas que frequentamos hoje em dia. Afinal, a delicadeza e também a dedicação são características fortes da grande maioria das mulheres, o poder de captar detalhes e sua sensibilidade são o que fazem a diferença em qualquer área que atuem.

Falamos sobre as dificuldades, desafios, e também assédio.

Boa leitura!

Reprodução: Rodrigo Pessôa


Ekanta Jake

A DJ goiana mais conhecida do cenário trance, Ekanta Jake, é uma das grandes responsáveis pela disseminação do Psytrance no país. A brasileira trouxe o estilo musical para o Brasil e se tornou uma das idealizadoras do que hoje conhecemos como o maior evento cultural brasileiro, o famoso Universo Paralello, onde ela trabalha até hoje como curadora da pista 303 Stage.

É ela quem está por trás da pré-produção do palco 303, onde Ekanta participa do processo de análise de materiais que são enviados por DJs, seleção de artistas que se apresentarão neste palco, organização do line– up. Durante o evento a nossa diva cuida do camping dos artistas, além do escritório onde ela organiza pagamentos e distribuição de consumações.

A produtora e DJ brasileira têm 20 anos de estrada, e já venceu alguns desafios para conquistar o seu lugar e espalhar o Psytrance pelo o Brasil “Para conquistar o espaço em que hoje me encontro foi difícil também para os homens que estavam começando no Brasil no final dos anos 90, a música eletrônica era uma coisa muito nova no país e todos fomos verdadeiros guerreiros” revela Ekanta.

A DJ falou também sobre o desafio em ser mulher e atuar em áreas da cena, onde majoritariamente são dominadas por homens “A grande dificuldade em transitar num universo de maioria masculina ainda é a desvalorização em termos financeiros que a mulher enfrenta. Uma questão cultural”.

Quando perguntamos sobre a dificuldade em liderar uma equipe de homens, a DJ foi bem objetiva “Existe, mas depende do homem, assim como mulheres, sempre tem uns mais fáceis e uns mais difíceis. Lido com seres humanos, independente do sexo” finaliza Ekanta.

Ekanta também comanda os palcos do Universo Paralello e foi quem abriu oficialmente as pistas 303 Stage e Mainfloor no aniversário de 20 anos do UP, que ocorreu no último réveillon. A diva é mãe dos DJs Alok e Bhaskar.


Inê Goa

A rainha do GoaTrance nacional também está por trás da produção de alguns eventos. Além de sua carreira na Odontologia, Aline Montagnana aka Inê Goa também é mãe, DJ e sócia da Shiva Shankar.

Ela contou que tudo teve inicio a partir de uma ideia entre amigos. Inicialmente o evento se chamava Shiva Trance e eram quatro sócios “Já na segunda edição um dos sócios saiu, por opção mesmo, mas continua amigo nosso, e há uns três anos atrás a outra sócia saiu também, ficando então eu e o Fernando a frente da festa. Como esses dois sócios já haviam saído e a gente queria realmente representar uma mudança na fase da festa, a gente colocou o nome de Shankar, ao em vez do Trance, justamente pra mostrar esse lado mais meditativo, mais consciente e mais introspectivo de Shiva”.

Inê também é sócia da Árvore da Vida e da Shivanéris, que é a união da Shiva Shankar com a Chidnéris. Nossa guerreira revelou que também é apoiadora de outros eventos, entre eles Yanomami, Abdução Psicodélic, Chidnéris, Flor da Vida e E-Trip, “A gente se apoia se ajuda, porque a gente acredita que se cada um apoiar mesmo, nós conseguimos  fazer uma produção melhor de eventos”.

A brasileira já está na área de organização de eventos há cerca 12 anos, e quando perguntamos sobre os apoios recebidos ao longo de sua trajetória no Psytrance ela responde que na carreira de DJ sempre teve apoio de amigos, mas na organização ela sempre esteve à frente, e nunca deixou o título de sexo frágil ser um obstáculo em sua vida “Eu comecei a organizar eventos primeiro, e eu não sei te falar se eu tive o apoio ou não, porque eu nunca me permiti nenhum tipo de vitimismo. Eu fui vesti a camisa, apontei pra fé, remei e fui, e até hoje é assim. Eu não deixo me abalar porque eu sou mulher não” afirma Inê.

No cenário trance ela já trabalhou em várias áreas de diversos eventos, como Universo Paralello, Soulvision Festival e Boom Festival “Sempre trabalho em algo diferente, ou fazendo a organização, ou fazendo a alimentação, já trabalhei muito fazendo alimentação das festas, porque eu gosto muito de cozinhar, então quando me convidam pra fazer isso eu vou amarradona, adoro, vou lá fazer um yakisoba, ou parte do stand vegetariano, da pizza. Curto mesmo!” revela.

A DJ deixa claro que o toque feminino faz toda a diferença “Tem algumas coisas que as mulheres se destacam. Então esse contato com o público, a parte organizacional nós também somos muito boas, a parte do controle financeiro, eu acho que a gente se destaca ai também. A parte de logística, de conseguir organizar como que os artistas vão chegar e sair do evento, tem mulheres hoje espancando na logística, como por exemplo, a Dani que faz toda a logística da DM7 que tem que ser citada e ela realmente comanda isso muito bem”.

Nossa diva revela que é firme em suas decisões, um pouco rígida, para conquistar seu respeito no espaço da organização. No geral ela acredita que existe um tratamento de igual para igual, porém já sofreu assédio em sua carreira como DJ “Como DJ eu fui contratada e quando eu cheguei lá o cara achou que tinha o direito de me beijar ou de chegar perto, porque ele estava me contratando, e foi uma situação bem estranha onde eu realmente tive que me impor.”

Quando perguntamos sobre a dificuldade em comandar um grupo de homens, ela deixa claro que adora, pois existe respeito entre as partes. Se o assunto é força física os homens comandam, porém ela destaca que as mulheres também mandam bem quando o assunto é montagem “Tem meninas que arrebentam na parte de montagem de festas, ta aí a Tatá que faz umas tendas lindíssimas e que é uma mulher que merece destaque”

Inê conquistou um espaço e é um exemplo de força para muitas, ela acredita que mesmo que a intolerância exista, não podemos deixar que o mau vença, o negócio é unir forças e uma apoiar a outra “Temos que nos unir e trabalhar sempre mais unidas que a gente vai conseguindo conquistar o respeito uma para as outras” finaliza.

“Somos livres para sonhar e sonhos se tornam realidade”




Karishna de Souza

Karishna de Souza, natural de São Paulo, é organizadora do projeto SHAKTI Indoor e SHAKTI São Thomé das Letras desde 2014, onde é responsável pela parte artística, publicitária e produção geral. Ela também participa da organização da Casa Maluka no Ipiranga desde 2008, onde realiza toda produção da pista alternativa e também colabora com a organização geral. A diva também ajuda em vários setores de diversos outros eventos, como o Respect, Darkultura e PVTrance, através de sua empresa K eventos Operacional Fornecimento, onde atua faz 15 anos realizando gestão em todos os setores de um rolê.

Karishna iniciou sua atuação na área da organização de festas em meados de 1997. Na SHAKTI, atualmente ela está à frente do projeto, mas nunca sozinha “Sempre estive envolvida de várias formas no meio da música eletrônica, apreciando e colaborando há mais de 20 anos, em 2009, reunimos sete amigos e fizemos nossa primeira SHAKTI Open Air na Zona Sul de SP. A partir daí, segui em outros projetos e em 2014 surgiu a oportunidade de retomar um projeto Indoor em uma época em que não havia muitos projetos na região Urbana de SP” revela.

Ela nos revela que é prazeroso criar e desenvolver um evento, e diz também que não é nada fácil “Precisa ter muito amor, foco e determinação. O trabalho é enorme, pois se é responsável por todos, dentro e fora do evento, a população da região, o funcionário, o artista e o público. Mas é sempre muito gratificante ver o sorriso no rosto das pessoas gratas por aquilo que você proporciona. Então, resumindo é um chorar e sorrir ao mesmo tempo e o tempo todo” afirma.

A paulista nos contou que nunca sofreu nenhum tipo de assédio e ressaltou a importância das mulheres para a cena trance “Hoje, as mulheres neste mercado servem até de inspiração para muitos. Pois elas tem uma gestão mais próxima de clientes e colaboradores” finaliza Karishna.


Carlinha Beli

A Carlinha, assim como é conhecida, atua em diversos eventos de alta relevância, em alguns a jovem participa desde o início, com planejamento, ideias, recrutamento de promoters e divulgadores, e em outros ela trabalha na produção do evento, no dia da festa. Nos rolês trance, a nossa mana atualmente está apenas com a Shiva Ohm e Puma Punku, mas já trabalhou com E-Trip, Sound Valley, Dream On, Elementare, Mandallah, Nomad, Moonworld, Aslam, Sonoora, Santa Conexão e Maya.

Ela nos contou como tudo começou “Trabalho com evento há três anos, sou um baby, ainda tenho muito a aprender. O primeiro evento que trabalhei foi a Dream On que acontece em Lavras (MG), um dos donos, é um amigo próximo, chamou para ajudar porque eu estava sem emprego na época. Aconteceu e nunca mais parei” revela.

A paulistana afirma que nunca sofreu nenhum tipo de preconceito atuando na área e que é tratada com respeito pelos companheiros de trabalho, e disse ainda que se sente gratificada ao ver que o seu esforço valeu a pena “A sensação de dever cumprido é algo surreal, você pensa em tudo com tanto carinho e dedicação que quando vê acontecendo e o evento fluindo é muito gratificante. Receber o carinho do público que na maioria das vezes cruzam conosco na correria do evento e agradecem, é sensacional” finaliza Carlinha.


Lais Magalhães e Tatiana Gonçalves

Lais Magalhães e Tatiana Gonçalves estão unidas na vida pessoal e profissional. As guerreiras são proprietárias do evento Vênus e dão aula de organização quando o assunto é montar um evento de destaque. As meninas contaram que tomaram a decisão de produzir um evento após conhecerem o Festival Mundo de Oz e revelam como a Vênus nasceu ” Fazemos aniversário no mesmo dia, 08 de Outubro, conversa vai, conversa vem, decidimos o nome, Vênus, que referente ao planeta que rege nosso signo e a Deusa do amor. Daí reunimos alguns amigos, que abraçaram nossa ideia, e começamos a por em prática nosso sonho.”

Elas explicam que as maiores dificuldades no inicio foram os trabalhos braçais da montagem do evento, mas sempre tiveram ajuda dos amigos. As duas revelam que sua equipe as tratam com respeito e que elas são firmes nas suas decisões “Sempre tivemos pulso firme, claro, sempre dispostas a ouvir o outro, porém com pulso firme sobre as regras para o bom andamento do evento. Mostrando que não é o fato de ter duas mulheres no comando, que irá interferir no resultado final”

A Lais acredita que ainda existem barreiras que impendem as mulheres ingressar na carreira de produtora de eventos “Sinto que ainda há uma resistência por parte de alguns homens em incluir mulheres em cargos de destaque nos seus núcleos. Por afinidade entre eles ou  sei lá, talvez por algum medo da revolução que a mulher pode causar, as mulheres ainda são sua minoria nos núcleos. Porém não só na produção de eventos, como em vários outros setores, a mulherada está indo com tudo, mostrando que é capaz, e conquistando cada vez mais seu espaço.”

A Taty acredita que o caminho é respeito “Primeiramente conquistar o respeito, do público e de todos que vão trabalhar com a gente, afinal ainda há muito preconceito e não aceitação dos homens, para nos ouvir, aceitar nossas opiniões. Mas graças a Deus temos uma galera que trabalha com a gente, que nos conhece e confia no que a gente fala, e nós também sabemos ouvir e por em práticas ideias construtivas que possa nos ajudar”.

O casal revela que não têm problemas em liderar equipes de homens, mas infelizmente já sofreram assédio na cena “Já sofremos assédio de um DJ através do whatsapp. Foi assustadoramente constrangedor. Mesmo a gente tendo o contato estritamente profissional, tem gente que ainda insiste em misturar as coisas, e depois dizer que estava brincando. Lamentável”

Ao final as guerreiras deixam um recado para as mulheres, que assim como elas, tem um sonho de produzir um evento “O caminho é difícil, mas está aí pra quem quiser percorrer! Observa, estude e coloque em prática! Certifique-se de estar cercada de pessoas do bem, que vibram na mesma frequência que você; com os mesmos propósitos” ressalta Laís.

“Não só para mulheres que sonham em produzir um evento, mas para todos as mulheres que tem um sonho, corra atrás, não deixe pra depois, o tempo tá aí passando e você é dona do seu destino, mostre que você é uma guerreira! Nunca deixem dizer, que por você ser uma mulher, que você não vai conseguir, porque você é capaz de fazer tudo” finaliza Taty.

A Hï BPM deseja um Feliz Dia da Mulher para todas as manas do trance.

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