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Redução de Danos em pauta no Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo

No dia 20 de Fevereiro, hoje, é datado oficialmente em nosso calendário nacional como Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, por isso vamos trazer como pauta: Redução De Danos.

Antes de iniciar o texto, é importante que você compreenda duas questões fundamentais.

Primeiro: Redução de Danos não faz apologia ao uso de drogas!

Pare com essa ideia careta de que RD, assim como é conhecida, incentiva o uso de drogas. Por muitos anos lutas foram travadas, entre governos e redutores de danos, a fim de levar ajuda para os usuários ou dependentes de substâncias psicoativas. E se hoje podemos falar abertamente sobre o tema é graças a essas lutas que atravessam décadas. Pois é certo afirmar que graças à Redução de Danos hoje temos acesso às informações corretas, e melhor ainda, o tema é tratado como um problema de política pública, e não apenas em torno de julgamentos a um usuário que precisa de ajuda.

Segundo: Sim, álcool também é considerado droga, psicotrópica, onde atua no sistema nervoso central, podendo causar dependência e mudança no comportamento! Lícita, porém continua sendo uma das substâncias que mais causa danos, podendo provocar confusão, irritabilidade, dificuldade de concentração, episódios de perda de memória, além de danos a terceiros.

A RD também opera para lidar com o álcool, por exemplo, tomar água intercalando com o consumo de álcool, se alimentar antes e durante, são estratégias importantíssimas de Redução de Danos.

Agora vamos continuar, e na sequência compreenda melhor sobre RD, conheça também alguns coletivos, entre eles o Coletivo ResPire.  

O QUE É REDUÇÃO DE DANOS?

Para esclarecer melhor sobre RD, falamos com o Psicólogo e Redutor de Danos do coletivo ResPire, e também apresentador e roteirista do projeto “Que Droga é Essa?” do Justificando, Gabriel Pedroza. O psicólogo nos apresentou um vasto portfólio que trata sobre o tema e que nos ajudou a desenvolver esse conteúdo para você.

Não existe uma descrição única que explique a totalidade do que é Redução de Danos. Uma das muitas essências da RD está diretamente ligada ao fato de proteger os direitos humanos e lutas por melhorarias nas politicas de saúde pública. Atua para apresentar maneiras de uso mais conscientes, o que consequentemente minimizará os danos e riscos à sua saúde.

Segundo a Associação Internacional de Redução de Danos (Harm Reduction International) “A redução de danos refere-se a políticas, programas e práticas que visam minimizar os impactos negativos à saúde, sociais e legais associados ao uso de drogas, políticas e leis sobre drogas. A redução de danos está fundamentada na justiça e nos direitos humanos – concentra-se em mudanças positivas e no trabalho com pessoas sem julgamento, coerção, discriminação ou exigindo que elas parem de usar drogas como pré-condição de apoio”.

Um dos objetivos é apresentar soluções que realmente funcionem e orientar a galera, de maneira responsável e com fundamentos coerentes. Ajudar sem julgar, e acompanhar sem criticar. A RD é regulamentada no Brasil pela Portaria nº 1.028 e é uma prática reconhecida pela Organização Mundial de Saúde.


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Por que falar sobre Redução de Danos?

Muito simples! Infelizmente durante muito tempo o uso de substâncias, bem como droga lícita e ilícita, se potencializa por meio de julgamentos da cultura repressiva com absurda ligação ao cenário da música eletrônica. Mas nós, como frequentadores ativos, sabemos que isso não se baseia somente à nossa cena, muito pelo contrário. As substâncias psicoativas existem e são ingeridas pelo ser humano há décadas, com o intuito de alterar a consciência.

Apesar da resistência do próprio sistema, a realidade agora é outra e essa ideia finalmente está sendo cada vez mais desconstruída. Aos poucos as pessoas estão compreendendo que essa adversidade está cravada de maneira geral na sociedade, é um problema de âmbito internacional.

Um grande exemplo de evolução no Brasil sobre esse aspecto foi divulgada pelo portal Justificando na última sexta-feira (14), com a notícia de que Olinda terá a primeira casa de Redução de Danos do país neste carnaval, a Casa Fique Suave, que faz parte da #Ação Fique Suave no Carnaval. A casa estará em funcionamento durante os dias de folia do Carnaval de Olinda,com a distribuição gratuita de kits de redução de danos composto por soro, água, protetor solar, pirulito, cartão com tabela sobre a mistura de substâncias, sedas, piteiras, etc. (confira mais informações na matéria completa, clicando aqui).

Precisamos admitir, é uma grande vitória essa expansão, não concorda? Afinal, a manchete não está associada as raves e sim a um evento muito popular e de caráter cultural dentro do nosso país.

Foto: Sigma F

Em um dos episódios do programa “Que Droga é Essa?”, (canal Justificando, disponível no Youtube), Gabriel explica que a Redução de Danos origina-se na Holanda, na década de 70, onde surge o coletivo Junkiebond. “No Brasil, a RD nasce no final da década de 80, mais especificamente em 24 de Novembro de 1989, anunciada pela prefeitura da cidade de Santos, tornando-se pela primeira vez uma política pública no Brasil […] Isso até o Ministério Público proibir a prática poucos meses depois, em Março de 1990. Os Redutores e Redutoras de Danos foram processadas, com o argumento de apologia ao uso de drogas.” esclarece Pedroza.

Bom, para entender um pouco mais sobre o conceito, se liga no vídeo completo:

Se você gostou da iniciativa e gostaria de contribuir para ajudar o programa “Que Droga É Essa?” continuar produzindo os conteúdos, clique aqui.

COLETIVOS DE REDUÇÃO DE DANOS

Nos eventos psytrance, isso inclui festivais, raves e até algumas PVTs, é comum ter espaços dedicados ao RD, onde os Redutores trabalham orientando e acolhendo as pessoas que precisam de atendimento durante o rolê, em situações de menos riscos. Em casos mais graves, como de overdoses, por exemplo, a pessoa será encaminhada diretamente para atendimento com profissionais da saúde nos ambulatórios ou ambulâncias.

Alguns dos coletivos em atuação hoje nos eventos pelo Brasil são: Balance, ResPire, Preparty, Cai Junto, Acalma, Brisa, Livre, SobreViver, Changa, entre outros.


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Os grupos atuam também em parcerias e promovem ações de redução de danos dentro das festas, viabilizando práticas de RD entre o público. Desenvolvendo atividades como: distribuição de materiais informativos (panfletos sobre cuidados à saúde, uso de álcool e outras substâncias), oferta de kits (água, alimentos, etc), além de oferecer informações e escutar a galera nos espaços destinados ao RD.

Foto: Bruno Camargo

É um trabalho fundamental, e cada vez mais eventos têm aberto as portas para os coletivos, justamente por compreenderem a importância de ter pessoas capacitadas para operarem em eventuais circunstâncias, e principalmente, que passem segurança e conforto para o atendido dentro daquele ambiente.

COLETIVO RESPIRE

O ResPire possui um papel fundamental na construção da RD em nosso país, pois foi o segundo coletivo do Brasil e o primeiro de São Paulo. A equipe já esteve em muitos eventos conceituados da cena psytrance como Adhana Festival, Pulsar Festival, Universo Paralello Festival, entre outros.

O grupo surgiu oficialmente em 2011, a partir da iniciativa do Centro de Conivência É de Lei “Alguns membros da época do É de Lei, em 2008, foram para um festival na Bahia, participar de uma atuação de Redução de Danos com o coletivo Balance, que foi o primeiro coletivo em festas no Brasil. Foram fazer a distribuição de kits sniff, insumos e os complementos terapêuticos das pessoas que estavam passando mal, e em 2010 o É de Lei escreveu um projeto para um edital do Ministério da Saúde e conseguimos esse edital para atuar em algumas festas. Então começou a rodar concretamente em 2011” conta Gabriel.

Se engana quem pensa que o coletivo atua apenas em raves, eles também conquistaram espaço, através do projeto ResPire Diversidade, e atuaram em eventos LGBTI, como lam Marginalia – Dia da Visibilidade Trans, Feira Cultural LGBT, 1 Festival Casa Chama – Teatro Oficina, Festa DizTrava Okê – Grajaú, Nas Tramas da Cultura -Largo do Arouche, entre outros.

O coletivo também já esteve na No gods No masters, TUSCA, Peruada e na Festa AcampaGEA “O projeto ResPire nasce no Trance, mas ao longo dos anos expande sua atuação para diversos contextos de festas, incluindo jogos universitários, festas de rua e pancadões” finaliza o psicólogo.

Redução de Danos é coisa séria! E você também pode praticar, ofereça uma fruta, água ou chame seu colega para tomar um banho nas duchas. Tudo isso faz parte da RD.

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