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KiLLATK fala sobre sua história e experiências “Não devemos ligar para o que os outros pensam e muito menos nos contentar com rótulos.”

Que a cena psytrance brasileira está crescendo é incontestável, vemos isso com a quantidade de festas e os talentos musicais que surgem a todo momento. O mais legal disso tudo é ver que todas as vertentes tem seu espaço e o High Bpm tem conquistado cada vez mais pessoas, mostrando que chegou para ficar. Em 2020 teremos alguns eventos voltados somente para os BPMs mais altos, fica ligado que te falaremos mais sobre eles nos próximos dias.

E se você se interessa pelo acelero já deve ter ouvido falar de Killatk. Gustavo Castro é o responsável por trás deste som rápido e único. Conversamos um pouco com ele para saber mais sobre o projeto, sua história, suas influências e quais novidades vêm por aí. Confira!

Reprodução: MOMX

Hï BPM:  Olá Gustavo, tudo bem? Antes de tudo gostaríamos de agradecer por você poder falar conosco e compartilhar mais sobre o projeto com nossos leitores. Gustavo, quando e como surgiu o KiLLATK?

KiLLATK: Olá, o prazer é meu de poder compartilhar um pouco da minha história com vocês. Eu comecei a tocar com 16 anos, depois de ir na minha primeira festa, antes disso eu não me interessava muito por música, eu era aquele garoto viciado em computadores. Fiquei impressionado com o psytrance, e quando descobri que era produzido no computador, não pensei duas vezes e comecei a estudar. Na época eu já era formado em programação, então o processo foi mais fácil. Comecei mixando Progressive Psytrance e Full On, enquanto produzia alguns sons com o meu projeto TAHAZ. Depois de algum tempo produzindo, eu ainda sentia que aquelas vertentes me seguravam, de certa forma, não tinha liberdade para criar como eu gostaria. Até que um belo dia eu vi uma apresentação de um DJ set de Hi Tech, e pensei: é isso. Acho que vale pena acrescentar, que esse mesmo DJ set que me inspirou a começar meu projeto, foi um dos primeiros a me desencorajar, dizendo que esse tipo de som era algo muito complexo e que eu nunca iria conseguir fazer algo do tipo, que era “coisa de gringo”. Para te colocar pra baixo existem várias pessoas, não deixe que nenhuma dessas te atrapalhem e nunca desista dos teus sonhos! O projeto KiLLATK surgiu no final de 2014, quando eu decidi que iria abandonar o meu antigo projeto e migrar 100% para uma vertente que me proporcionaria mais liberdade na hora de produzir. Não foi uma decisão fácil, afinal naquela época a vertente não tinha a força que tem hoje, era uma cena muito diferente, porém acredito que foi a decisão mais correta que tomei, de certa forma consegui mostrar para diversas pessoas que era possível produzir esse tipo de som (e viver disso) aqui no Brasil.

Hï BPM: Gustavo, e como você vê o mercado brasileiro para o High BPM?

KiLLATK:Tem crescido cada vez mais, a grande maioria das festas raves do país sempre tem um horário na madrugada para o high bpm, sem falar nos festivais criados somente para as vertentes noturnas. Os produtores das festas vêm amadurecendo bastante, finalmente estão deixando de lado aquela síndrome de que festa underground tem que ter perreco e estão investindo cada vez mais na infraestrutura do evento, o público está crescendo e dessa forma a cena ganha em diversos aspectos.

Hï BPM: Como funciona o processo de produção das suas tracks?

KiLLATK: Eu sempre estou buscando inspirações, seja na cultura POP, em filmes antigos, enfim. Posso estar assistindo um filme e alguma frase me chama à atenção e eu já imagino como ela se encaixaria em alguma track. Um exemplo que eu posso dar é a minha track Overdose Gamble, que eu usei alguns vocais de um trailer da série Black Mirror. Outro exemplo é a track em que fiz uma homenagem à um clássico da EDM: Satisfaction, de Benny Benassi. Alguns podem dizer que essa música do Benny é chacota, etc… Mas eu prefiro enxergar de uma maneira diferente, sinto que esses clássicos representam muita coisa e ajudaram a construir a cena que temos hoje em dia (além de fazer parte da minha infância). Quanto ao processo de criação de timbres, eu costumo tirar alguns dias só para timbragem, fico viajando criando vários sons, depois começo a organizá-los e a track vai sendo criada. É difícil falar sobre o processo criativo, pois ele é muito relativo, muda muito de track para track. Nem todas as tracks tem tema, algumas são só psicodelia e sequenciamento de síntese sonora.

Reprodução: Yuri Lima

Hï BPM: Em 2019 você ficou dois meses fora, em tour entre a Europa e a Ásia. Qual a sensação de ter a sua arte te levando para outros países?

KiLLATK: Quase indescritível. Sou uma pessoa privilegiada por viver tudo isso, sabemos que o mundo da música nem sempre é justo com as pessoas que escolhem viver nele. É uma mistura de felicidade com responsabilidade, afinal, com uma carreira internacional a responsa cresce consideravelmente. Ser um nome cogitado em festivais pelo mundo é algo surreal. Hoje em dia eu posso dizer que sou mais famoso na Índia do que no Brasil, e isso seria uma coisa inimaginável para mim no passado. Na verdade, até hoje é meio louco pensar nisso.

 Hï BPM : Vimos os seus stories durante uma tour na Índia e vimos que a cena lá é bem diferente. Conte essa experiência, o que você acha mais interessante nesses lugares?

KiLLATK: A Índia é um país complexo para quem sempre viveu numa cultura ocidental, quando você está lá você deve fazer um esforço para enxergar as coisas pela visão deles. O país tem um desequilíbrio social muito grande, e na cena trance isso não é diferente, já toquei em festas que não tinham nem palco, e no outro dia toquei em um clube num hotel 5 estrelas. Outra coisa que acho digno de mencionar é a forma que as mulheres são tratadas lá. Em algumas regiões elas ainda são descriminadas, não podendo frequentar os eventos (na teoria elas podem fazer o que quiserem, porém estariam abrindo mão do “tratamento digno”). Felizmente esse tipo de comportamento vem sendo deixado para trás nas cidades mais desenvolvidas e globalizadas. O que mais me fascina na Índia, é a maneira que as pessoas são felizes diante de tanta dificuldade, o carinho que me recebem lá é surreal. Não posso deixar de mencionar a diversidade cultural do país, é impressionante!

Hï BPM: Percebemos que você usa bastante a arte visual em seus videoclipes. Desde grafite, visões psicodélicas, além da sua atuação como em “Never Slackin“. Sobre “Never Slackin” como foi esse processo de criação? Qual o conceito desse vídeo tão expressivo?

KiLLATK: A minha idéia quando faço um trabalho desses é tentar proporcionar uma experiência diferente quando falamos de Psychedelic Trance. Faço questão de editar todos os meus vídeos. Eu, como artista, me sinto na obrigação de me expressar de todas as formas que estejam ao meu alcance, por isso me arrisco dessa maneira. Vocês podem estar se perguntando: mas como isso pode ser um risco? Bom, a resposta é fácil: a cena do DarkPsytrance não recebe com bons olhos pessoas que tentam fazer diferente. Fui muito criticado por esse tipo de trabalho por algumas pessoas, que alegam que isso não faz parte da cena dark. Felizmente, o decorrer da história e os números mostraram que essas pessoas estavam erradas. Sobre esse vídeo específico (Never Slackin), ele foi o primeiro que eu montei um roteiro, uma história. Os meus vídeos anteriores eram uma coletânea de takes gravados enquanto eu estava em tour pelo mundo, o primeiro (Mangeshkar) foi gravado na Índia e o segundo (Remember) foi gravado na Alemanha. Ambos não possuem uma história, em Never Slackin é diferente, eu queria passar uma mensagem. A mensagem é simples, não glorifique o abuso de drogas. Faz tempo que eu observo diversas pessoas fazendo isso, em vários âmbitos sociais, e eu acho isso de uma burrice gigantesca. Queria passar essa ideia no vídeo, se você curte se afundar nisso, uma hora você afoga, pode ter certeza. Talvez o vídeo seja uma espécia de autobiografia, quem sabe? 😉

Master Of Puppets

Hï BPM :O público brasileiro que curte um bom Hi Tech sempre teve vontade de ir para o Master Of Puppets. Como você define sua experiência tocando por lá?

KiLLATK: Essa data veio para coroar muito trabalho duro da minha parte. Para mim o festival é uma espécie de copa do mundo. O público sabe o que é bom e é exigente. Foi uma experiência fantástica, a reunião mundial de pessoas que curtem o verdadeiro Darkpsy. Não tem como não se encher de felicidade quando produtores que você admira se direcionam até você e lhe parabenizam pelo trabalho que vem fazendo, e lá isso aconteceu diversas vezes, pessoalmente.

Hï BPM :Você tem alguma novidade para contar pra gente? Como está sua agenda para 2020?

KiLLATK: Tenho muitas novidades!! Não gosto muito de falar sobre as coisas que planejo, pois existem pessoas que vibram em uma frequência errada e desejam o meu mal, por isso me limito a dizer que será um ano de muito trabalho duro!

Hï BPM: Para terminar, o que toca muito na sua playlist? Deixa uma indicação aí para a galera de algum artista que te inspira nas suas músicas.

KiLLATK: Sempre procurei fugir bastante da própria vertente pois toda a história do KiLLATK foi escrita sem as rédeas de timbres específicos do High BPM (Alien303, Albino entre outros synths dos quais os produtores abusam dos presets e que o público já está cansado de ouvir) então tenho na minha coleção desde artistas como: ITSOKTOCRY!, Ghostemane, $uicideBoy$, POUYA, até fenômenos da música clássica como Chopin, Vivaldi e Debussy. Acho que diversidade é uma palavra que define bem a minha coleção musical. No que diz respeito a música eletrônica, como qualquer bom DJ, tenho ciúmes das minhas referências  hahaha! Brincadeiras à parte, no psytrance eu recomendo todos os integrantes da minha gravadora, ZuluTunes. Fora do psy eu recomendo ouvirem Squarepusher.

Para terminar queria deixar um recado: Acredito que hoje em dia as pessoas possam ser confinadas apenas pelas próprias barreiras criadas pela mente. Não devemos ligar para o que os outros pensam e muito menos nos contentar com rótulos.

Reprodução: LSDre Fotografia

Se você ainda não conhece o som de KiLLATK, é uma boa hora para conhecer!

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