O MELHOR DO PSYTRANCE

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A cena Psytrance está sendo banalizada?

Que a música eletrônica tomou a graça do grande público, ainda mais quando falamos do cenário brasileiro, isso é inegável. E por mais que o conceito de “cena” seja bem amplo, existem algumas particularidades que podem ser observadas quando olhamos para sua evolução de uma maneira geral. Com toda essa popularização surgem alguns “problemas” que de certa forma empobrecem o meio, surgindo a partir daí as cansativas rixas entre gêneros musicais, e aquela famosa que a gente conhece muito bem, o tal do Mainstream x Underground.

Agora, quando olhamos para o universo do psytrance e das raves de maneira genérica, a pergunta surge: a cena do psytrance está sendo banalizada? Um tema que vem sendo discutido há algum tempo e que divide opiniões, mas totalmente presente em qualquer cenário, se você observar bem.

Mas vamos por partes. Para tentarmos entender um pouco melhor tudo isso, algumas questões devem ser levadas em conta. São elas:

MERCADO

Como acontece em todo lugar, mais cedo ou mais tarde, aquilo que era considerado underground começa a atingir o público em massa por causa da comercialização, e como tal, é preciso fazer algo que seja de fácil aceitação para esse público.

Mesmo sabendo a história e conceito que o psytrance carrega, de toda forma, estamos falando de mercado, que para sobreviver, precisa de um público para consumi-lo em maior escala. Temos a Playground aí como exemplo.

Não que isso seja ruim, muito pelo contrário, essa popularização faz com que a nossa música conquiste novos espaços, resultado do comportamento do público que o consome. Porém, com a chegada desse novo público aumentam comportamentos que não condizem com a cultura psytrance, e é aí que muitos acham que isso está “estragando” o cenário. Partindo daí, entramos no segundo tópico.

EDUCAÇÃO E PÚBLICO

Veja bem, ter novas pessoas conhecendo nossa cena é ótimo, não só o psytrance, mas a música eletrônica de um modo geral. E considerando que ainda existe toda aquela visão distorcida de que rave só tem droga e tudo mais, cabe aos eventos – comerciais ou não- e até nós mesmos, transmitirmos o legado que o meio carrega, educando quem está conhecendo agora, mostrando que não é algo banal, é uma filosofia que se estende além das raves.

É inegável que certas atitudes de muitos frequentadores realmente colaboram para essa visão de banalização. Pessoas que passam dos limites; brigas e discussões que quebram a energia do ambiente; roubos; desrespeito da galera em colocar cadeiras na pista; e, acredito que seja um dos piores, a poluição da natureza. Ora, a natureza é a nossa casa, e o respeito também se dirige, principalmente, a ela. As pessoas precisam se tornar conscientes do impacto que possuem na natureza, e que é nosso dever preservá-la.

Também não podemos ser hipócritas e falar isso só por falar. Como dito no começo, isso é uma filosofia que se estende além das raves. Não apenas se tratando da natureza, mas com tudo de modo geral. A rave é para ser uma “extensão” do que praticamos lá fora. Você pratica o amor fora dela? O respeito com os outros e a natureza? Você pratica a paz? Este é um assunto amplo que falarei depois em outro artigo.

No fim das contas não podemos esquecer que tudo é um ciclo, e o que é de certa forma “modinha”, uma hora passa. Para além do mercado, sempre existirão aqueles que não abandonarão os princípios da cena, e que continuarão mantendo essa cultura viva: seja o público, seja o Dj/produtor e também os organizadores de eventos. E muito mais do que isso, é indispensável que cada um faça a sua parte e transmita os valores, contribuam para educar os novos apreciadores que estão chegando

MÚSICA

Longe de colocar em questão o que é bom e o que é ruim, mas música sempre será subjetiva. Então se você não gosta do que chamam de “prog farofa”, tudo bem. Tem gente que gosta e isso não faz dela pior que você e vice-versa. Como mencionado, é tudo um processo, e é questão de tempo até muitos irem além disso – ou não. Muito mais que música, o mais importante é conseguirmos que mais pessoas entendam que o psytrance é respeito, união, e que há espaço para todos.

Porém, uma das consequências de tudo que fica popular é a saturação, e com a música não é diferente. Há sons com a simples finalidade de entreter, assim como há sons mais trabalhados, que realmente levam a essência da psicodelia de fato. Neste contexto, não poderia deixar de mencionar um dos termos que tenho escutado muito que é a “vini vicização” da música eletrônica, que é justamente o fato de muitos artistas estarem tocando/produzindo músicas para as massas, de fácil consumo, e que está em alta no momento. E podemos ver isso claramente em vários eventos por aí – aqui não se tratando apenas de raves.

E aí entra o questionamento: até onde a comercialização pode agregar na nossa cena? O que pode ser feito para que o público entenda que é muito mais que apenas divertimento?

Mas como falamos no tópico anterior, é tudo uma questão de educação, e também do interesse do público em querer ir além, entender a cultura e ter a mente aberta para a apreciação de novas sonoridades. Sabemos que não é todo mundo que tem esse propósito, mas tudo bem. Público sempre terá, seja qual tipo for.

CONCEITO

Vale lembrar que antes de chegarmos ao psytrance propriamente dito, existiram movimentos de contracultura, como o movimento hippie, que se opunha aos ideais do sistema capitalista como materialismo, desigualdade social, propriedade privada, etc; e a partir desses movimentos que surgiram as primeiras festas com esse propósito, sendo o estado de Goa, na Índia, o berço delas.

Basicamente essas festas têm cunho político, onde tudo que é ligado ao sistema dominante é contestado. Elas foram criadas justamente como uma forma alternativa de fugir desse sistema e poder ser livre. Não é à toa que vemos nas raves espaços para a arte, justamente para que as pessoas se expressem como quiserem; que sejam elas mesmas. E mais uma vez, aqui também estamos falando de educação. Se considerarmos que vivemos em um sistema capitalista e que há fatores econômicos que dividem a realidade das pessoas, muitos dos que frequentam podem não ter acesso a muitas das manifestações culturais que existem nas raves; muito menos sabem a origem de todo este universo. Levar conhecimento dessa cultura a mais pessoas é a melhor forma de aumentar a conscientização das mesmas, e diminuir a banalização.

Portanto, olhemos para a popularização da cena não como algo ruim, mas sim como uma oportunidade de conscientizar mais pessoas para o que realmente importa: menos ganância, egoísmo, violência; mais empatia, mais cultura, respeito com o próximo e principalmente com a natureza.

É disso que precisamos para nossa evolução, e a música é só um complemento neste meio.

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