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Elementorum Naturae concretiza edição 2019 com muita psicodelia e cultura! [REVIEW]

Por: Rafael Kosmic

O festival Elementorum Naturae- Edição Água se mostrou planejado nos detalhes, para oferecer uma experiência transformadora aos seus participantes. Cercado por uma natureza exuberante, com dias ensolarados, noites de céu cravejado de estrelas e sorrisos, muitos sorrisos, o festival deu aula de psicodelia, união e resistência, mostrando porque é considerado um dos melhores festivais multiculturais de trance no Brasil.

Reprodução: Ilumini Media

O LOCAL

O festival rolou do dia 1 ao dia 5 de março de 2019, na Associação Granja Martini, em Francisco Beltrão, no estado do Paraná. O local é o mesmo onde aconteceu o Elementorum Naturae em 2017, ocasião que foi invocado o elemento Terra e ficou eternizado pelo palco do Fauno, feito pela Nhanderu Artes. Nesta edição, foram feitas diversas melhorias estruturais no pico: banheiros de alvenaria feminino e masculino, com cinco chuveiros quentes em cada setor, MainFloor montado em um lugar maior do terreno e um calçamento interno para facilitar o acesso de veículos da produção, abastecimentos e ambulâncias.

Os banheiros de alvenaria contaram com o apoio de diversos banheiros químicos, para atender bem ao público presente. Uma dica para a próxima edição seria colocar mais pessoas para trabalhar no setor de limpeza e manutenção, pois em alguns momentos os banheiros estavam um pouco difíceis de usar, a galera também deve colaborar mais na utilização mantendo mais limpas estas áreas de uso comum, como fizeram com as pistas que estavam impecavelmente limpas.

As áreas de campings tinham muita sombra e comportaram bem todo o público. Diga-se de passagem, com uma vibe incrível os campings. Um lugar muito arborizado com um riozinho gelado e maravilhoso, passando por toda a extensão do festival e ainda uma cascata natural incrível para celebrar em grande estilo a edição das águas.

Reprodução:Lucas Caparroz Films
Reprodução: Ilumini Media

A ESTRUTURA

A praça de alimentação foi bem dimensionada e comportou bem o público, mesmo nos horários de pico da manhã e do almoço, com diversas mesas de madeira grandes e bancos longos, numa espécie de refeitório. Boas opções de lanches, Kebab, crepes, salgados, pastéis, hambúrguer artesanal delicioso da La Mafia foodtruck e almoço servido todos os dias. Não haviam muitas opções veganas e sem glúten, como também acontece em muitos outros rolês. O bar estava com preços justos nas bebidas, cerveja e Chopp artesanal trincando de gelados, e para celebrar o tema do evento, além de água potável grátis liberada para todos, a água mineral de 500 ml foi vendida à apenas R$1,00. Esse com certeza foi um dos muitos pontos extremamente positivos do Elementorum

Reprodução: Ilumini Media

PALCOS E PROJEÇÕES

Mais uma vez, a cenografia do Mainfloor foi uma bioconstrução surreal do designer Bruno e sua equipe Nhanderu Artes. Neste ano, o ser mitológico transformado em palco foi um Dragão Aquático; um palco interativo com uma sala para o público na boca do dragão e os DJs tocando na garganta, diante de uma tenda linda criada pela Vision Artes. A cenografia da outra pista também ficou iradíssima! Duas bioconstruções de galhos e gravetos, criadas pela Live Art’ES, formaram a pista Alternative Naturae onde o palco “Lula gigante” estava fortemente ligado com toda a mata.  O Mainfloor contou com as caixas do sistema Pure Groove, as “laranjinhas” que dispensam apresentações sobre a qualidade e potência. O Alternative Naturae contou com um sistema de caixas JBL modificadas de excelente qualidade também.

Reprodução: Ishimaru.fotos
Reprodução: Ishimaru.fotos

O clima colaborou muito com o bom andamento do festival. Não choveu nenhum dia, contrariando a preocupante previsão de chuvas e temporais para todos os dias. As noites e os dias estavam espetaculares; nada de nuvens, céu azul durante o dia, parecendo um oceano infinito de ponta cabeça e, à noite, prateado de estrelas com um fiozinho dourado de lua crescente, dando um tom mais que especial, diria até elegante, ao som noturno e profundo que o festival trouxe no line. Tudo se complementando na mais perfeita sintonia e para coroar toda essa cremaria, o VJ BANG fez ambas as pistas derreterem com suas projeções totalmente alienígenas.

Reprodução: Ilumini Media

O EVENTO

O festival Elementorum Naturae reuniu 2.000 pessoas, mais 500 colaboradores, com a galera vinda de todos os cantos do país e também hermanos sul-americanos dos países convidados, Argentina e Chile. Conhecemos várias pessoas do Mato Grosso, Pará, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro, todos na mesma frequência de curtir um carnaval especial regado a muita música boa e atividades de expansão da consciência.

Tudo teve início na sexta-feira, dia 1 de março às 12 h, com dois lindos rituais de abertura: o primeiro foi à abertura da Tenda De Cura, quando os curadores todos se reuniram para fazer a passagem do elemento Terra para o elemento Água ancorando a energia para os trabalhos poderosos, os que ocorreriam dali em diante. Em seguida, foi à vez do MainFloor, onde o público que já havia chegado e os colaboradores do festival se juntaram numa grande roda de mãos dadas ao redor da pista para mentalizar e cantar à todas energias de proteção e celebração à arte, à música e a toda a cura que o trance pode proporcionar. Foi de arrepiar a energia formada. Ali foi uma amostra clara que seria tudo muito forte. E foi!

Reprodução: Indy Soh Click

Além das duas pistas extremamente psicodélicas, rolaram diversas intervenções artísticas que deixaram o rolê ainda mais impressionante; Burn the witch, Tribo de Aruanda e Circoloko alucinações. Rodando pelo festival, foi muito notável a organização de outras áreas além das pistas como a tenda de cura “Renascer Das Águas“, o espaço Alquimia e o espaço Kids, os quais em todos os horários de atividades reuniram um grande público e uma pluralidade para todos curtirem a experiência de um festival na sua amplitude multicultural.

Reprodução: Ishimaru.fotos

TENDA DE CURA

A tenda Renascer Das Águas, foi uma das melhores que já tive oportunidade de vivenciar em quase duas décadas frequentando festivais. Os terapeutas, oficineiros e colaboradores estavam muito ancorados na missão de curar, compartilhar e doar-se. Segundo os organizadores da Elementorum Naturae, Aléssio e Valéria, a crew sempre focou muito no desenvolvimento destes espaços de cura e arte; isso explica a organização excepcional desta e das outras áreas culturais do festival.

O público se fez presente em peso. Todas as vezes que estive na tenda de cura sempre havia dezenas de participantes em todas as atividades: Yoga, Reiki, roda do Sagrado Feminino, rodas de conversa e música ancestral ao redor do fogo sagrado. Durante a noite, além das terapias e oficinas, ainda foram realizados rituais de Sanangas, Rapé e outras medicinas ancestrais. Também rolaram sessões de cinema visionário do meu projeto Kosmic Kombi e foi muito gratificante poder somar aos trabalhos da tenda.

Reprodução: Vinicius Jordão
Reprodução: Ilumini Media

ESPAÇO ALQUIMIA

O Espaço Alquimia organizou uma galeria de artes sensacional com oficinas de pintura, debates da Lei do Tempo – Sincronário da Paz, oficina de educação musical, entre outras atividades, além de proporcionar valiosas trocas de experiências entre artistas e o público. Na segunda e terça-feira, dias 4 e 5 de março, devido a uma alteração geral que houve no festival (por razões que logo explicarei) as duas tendas, Cura e Alquimia, fundiram-se numa só turbinando ambas e tornando as vivências dos participantes ainda mais profundas.

Reprodução: Ishimaru.fotos

ESPAÇO KIDS

O Espaço Kids “Geração Amor“, projeto idealizado pela mãe, psicopedagoga e instrutora de Yoga Infantil, Indianara Bellan Arruda, que é também frequentadora de festivais, atendeu super bem as dezenas de crianças presentes e teve diversas atividades para os pequenos: pintura corporal, Yoga com historinhas, oficina de bambolê, pontos de macramê, fabricação de brinquedos com materiais recicláveis, história da cultura indígena, caça ao tesouro e diversas outras atividades, com destaque para o teatro lúdico que rolou.

Reprodução: Indy Soh Click
Reprodução: Elementorum Naturae

Nem preciso dizer que o Line Up do festival estava muito pesado, predominando o Dark, Hitech e outras vertentes noturnas do trance, também recheadíssimo de GOA, Psychill, Rap e Poesia, totalizando mais de 150 projetos, sem contar as diversas outras manifestações musicais espontâneas ao redor das fogueiras à noite que não estavam previstas no Line. O Main começou o som no fim da tarde do primeiro dia de evento, com uma sequência de Cosmic Dust, Marcos Souza, Narturorder, Eberhardt e muitos outros. Deshi e Allan Gabriel fecharam a madrugada de céu estrelado.

No sábado, 2 de março, seguiu uma sequência monstruosa de manhã com Calabi Yau, High Frenetic, seguindo a tarde, após 1 h de break, com Gypsy e Ana Nase, Psychowave. River Raids fez a transição para a noite seguindo com vários astros da psicodelia até chegar à Antagon fechando mais uma madrugada de céu estrelado e projeções insanas do VJ BANG.

Reprodução: Ilumini Media

No domingão a casa estava cheia, a sequência da manhã foi nervosa, Kaikkialla, Alien Chaos, Mad Scientist e um breakzinho maroto para dar uma resfriada, respirada e um confere para ver se ainda estávamos vivos com o calorão acima dos 30ºC durante todos os dias. Após o descanso a psicodelia continuou e se estendeu durante a noite toda.

Na madrugada de segunda, 4 de março, infelizmente rolou uma invasão policial sem mandado judicial, situação cada vez mais comum contra a cena trance no Brasil. Não houve nenhum tipo de confronto físico. Os agentes da lei tranquilamente, com o auxilio de guinchos, confiscaram todo o equipamento de som do Mainfloor e CDJ de quem estava tocando, alegando que havia centenas de reclamações de perturbação contra a festa e que o som estava chegando a 15 km de distância do local. Dá-lhe laranjinhas supersônicas!!!

O que parecia ser o fim do rolê durou apenas até a manhã, quando tudo foi incrivelmente reorganizado. O palco Alternative Naturae, no qual vários artistas se apresentaram no domingo, passou a ser a pista principal, um pouco menor e totalmente integrada à floresta e que deu mais força ao festival, ficou ainda mais roots a cenografia e com mais calor humano nas noites frias do interior do Paraná. A resistência trance se fez presente ali de forma inigualável. O público parecia ter voltado com ainda mais gás, as forças da natureza se manifestaram, galera dançando e uivando no meio do mato, uma autêntica festa de bruxos na floresta.

Nada é acaso e a energia da água sempre encontra alguma forma de fluir. Depois disso ainda rolaram, outras apresentações respeitáveis no novo MainFloor. Os quatro grandes destaques do festival Necropsycho, Sectio Aurea, Oroboro e Alpscore fizeram história em cima do palco e marcaram a segunda e a terça de festival.

Sectio Aurea / Argot Digamma / Anficlavis

Sem dúvida alguma o Elementorum Naturae – edição Água foi um festival que vai ficar pra sempre marcado na memória e levarei como um dos melhores rolês que já tive oportunidade de conhecer. Unanimidade das pessoas que eu conversei me deram depoimentos muito positivos tanto da infraestrutura, como do Line Up cremosíssimo e das diversas atividades culturais que rolaram.

Tudo foi muito positivo, até o que ligeiramente não foi, no caso da invasão policial, acabou sendo bem aproveitada e levou o rolê a ficar mais forte e mais raiz que nunca. Agora só resta esperar mais dois longos anos até a próxima edição, no carnaval de 2021, Elementorum Naturae que trará o tema Ar, para matar a saudade gigante que ficou. Tomara que passe rápido.

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