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PRODUTO NACIONAL: como Vegas conquistou a admiração de todo um país

Entrevista feita por Alan Medeiros

Soberano na cena do progressive trance nacional, Vegas é o projeto musical de Paulo Veiga, uma das grandes referências do segmento no país. Paulo surgiu para o cenário nacional como uma promessa e gradativamente evoluiu até se tornar uma das mentes mais admiradas do seu meio. Seu estilo bastante peculiar de discotecagem e produção musical pode ser apontado como o principal fator de sucesso em sua carreira, que hoje já ultrapassa as fronteiras do Brasil.

O aspecto criativo e fora da caixa de sua música acabou o levando para labels como Vagalume Rec e Alien Rec, por onde ele lançou faixas como Cabrones, Surto e Pratigi. No que diz respeito a sua experiência frente à clubs e festivais, destacam-se as passagens por Europa e América do Norte, além de uma grande área de cobertura de norte a sul do Brasil. No próximo sábado, 3 de novembro, Vegas retorna a Black Tarj do El Fortin em Santa Catarina, club que ele reconhece como um dos seus preferidos. Antes disso, nós falamos com ele:

1- Olá, Paulo! Tudo bem? Obrigado por falar conosco. Sua caminhada para se tornar um dos principais nomes do progressive trance brasileiro certamente foi bastante intensa. Nesse percurso, quais acontecimentos foram decisivos para o Vegas se tornar o que é hoje?

Olá! Tudo bem. Creio que uma série de fatores, a gestão de carreira e as tomadas de decisão são muito importantes em uma jornada artística, mas creio que o ponto X foi a dedicação e o foco no trabalho. Não existe segredo ou fórmula mágica na vida artística, é necessário muita dedicação, estudo e foco nos objetivos.

2- Ousadia certamente é uma das características mais marcantes de sua produção musical. Na sua opinião, produzir algo que soe diferente e inovador é fundamental para consolidação de um perfil sonoro?

Sim, é um dos pontos chaves. Tenho algumas referências musicais dentro da música eletrônica, mas são apenas referências. Cuido muito para não me tornar uma cópia. Um olhar no mercado não faz mal a ninguém, porém, manter a sua característica é algo fundamental. O problema é que a característica do Vegas é sempre criar algo novo e inesperado e isso acaba confundindo algumas pessoas às vezes. Um exemplo disso foi quando eu lancei a “Good Things”. Todos ficaram meio sem entender uma track tão melódica e calma justo na época em que eu estava produzindo tracks mais explosivas. A mente de um artista é um universo em expansão, sempre espere por algo inesperado e nunca compare com os trabalhos anteriores, cada trabalho é uma nova história, um novo sentimento, um novo propósito. O Vegas de hoje não é o mesmo do de ontem e é diferente do de amanhã, mas ainda assim continua sendo o Vegas.

3- Você é natural de um estado com grande tradição na música eletrônica, certo? Quão decisivo estar em Santa Catarina foi para a sua carreira?

Santa Catarina foi o meu pilar inicial da carreira, afinal, eu estava em um dos pólos da música eletrônica no Brasil e no mundo. Quando entrei nesse universo em 2004/2005, o psytrance teve seu “BOOM” em Santa Catarina, porém, com o passar do tempo caiu muito. As festas ao ar livre foram proibidas no estado e sobraram os clubs. Foi uma época difícil onde praticamente todos os DJs de psytrance de Santa Catarina foram extintos, mudaram o estilo para o low bpm ou deram um tempo na carreira. Eu segui firme com os meus objetivos e tentei buscar mercados fora da região. São as dificuldades que nos fazem fortalecer, então eu consegui expandir meu trabalho pouco a pouco para outros estados e com o passar do tempo, o psytrance foi reconquistando espaço na cena catarinense. Atualmente, Santa Catarina voltou a ser um dos maiores mercados consumidores de psytrance no Brasil e eu tenho muito orgulho disso.

4- Vagalume Rec e Alien Rec são labels que exerceram um papel muito importante na consolidação do seu trabalho. O que representa para você trabalhar com essas marcas?

São duas labels nas quais eu devo muito, que acreditaram no meu trabalho lá no início, quando o Vegas ainda engatinhava na cena. A Vagalume, que faz parte da crew do Universo Paralello, foi responsável por um dos meus maiores sucessos “Pratigi” e a Alien, responsável pelo meu primeiro álbum, “Good Things”. O trabalho com eles é muito saudável e tenho muita liberdade, tanto na escolha dos lançamentos quanto no lançamento em outras gravadoras estrangeiras. Hoje em dia, tenho alguns releases pela X7M Recs, que é gerenciada pelo Nadav Bonen aKa Major7 e X-Noise, e ainda alguns releases por outras gravadoras quando faço parcerias com outros artistas. O artista precisa se sentir bem para trabalhar em uma gravadora e o lance não é somente a rentabilidade, mas sim você se sentir confortável no ambiente de trabalho para estar feliz com os resultados.

5- A música eletrônica é guiada por ideais de liberdade e resistência, não é mesmo? Quais foram os principais aprendizados que seu público já te passou em meio as gigs?

Às vezes as coisas ficam meio mecânicas sabe? É só mais uma festa, mais uma viagem de avião, mais uma noite no hotel sem dormir direito [risos], afinal é um trabalho cansativo como qualquer outro e essa rotina as vezes faz você ficar meio “mecânico” e eu não gosto disso, sou artista e sou movido por sentimento!

O lado bom é que toda vez que subo no palco as primeiras imagens que tenho são sorrisos, isso quebra todo esse mecanismo do trabalho, um sorriso da pista fala mais que mil palavras, te arranca o cansaço em um piscar de olhos e faz você dar o melhor de si naquele momento, indiferente se tem 30 mil ou 300 pessoas na pista. A conexão com o público é a minha maior motivação. Já recebi várias mensagens de pessoas me agradecendo por ajudar elas através da minha música, em alguns casos como depressão e outras dificuldades na vida. Esse foi o meu maior aprendizado, quando eu descobri que a minha arte foi além do entretenimento, descobri que de alguma forma eu fiz parte da vida de alguém. Não existem palavras para explicar isso.

6- Como você projeto o futuro da sua carreira a nível nacional e internacional?

A nível nacional continuo trabalhando para manter o nível que alcançamos. Profissionalmente, eu me sinto realizado no Brasil, toquei em todos os lugares que sempre sonhei e conseguimos rodar os quatro cantos do nosso país com a música. O objetivo agora é manter o que conquistamos e, claro, cada vez mais atrair um número maior de público não somente para o Vegas, mas para a música eletrônica.

Somos um dos países do mundo que mais consome música eletrônica e cada ano que passa a cena vai se renovando. Não se pode achar que o trabalho está consolidado e que não é mais necessário trabalhar, o foco e a dedicação precisam ser contínuos.

Quanto a carreira internacional eu estou muito feliz, passei por vários países como Argentina, México, Israel, França, Suíça, Austrália, Áustria e Dinamarca. A carreira internacional requer muita dedicação e o trabalho que estamos fazendo fora do Brasil é o mesmo que fizemos aqui, sem pressa e aos poucos atingindo voos mais longos. Vegas ainda é uma semente fora do Brasil, estamos trabalhando para que um dia dê bons frutos igual tem sido aqui.

7- Falando especificamente sobre sua próxima gig no El Fortin. Como tem sido tocar no club? O que a pista Black Tarj tem de melhor?

Eu conheço o El Fortin desde o início da minha carreira. Já perdi as contas de quantas vezes eu me apresentei no club. Virei amigo dos proprietários, afinal, são tantos anos de parceria né [risos]? Toda vez que toco no club me sinto em casa, afinal eu estou em casa, nasci e continuo morando em Santa Catarina, a minha história na cena foi construída aqui. É uma mistura de sentimentos, nostalgia e alegria, e a pista dispensa comentários. Por todo o Brasil as pessoas me perguntam do club, pois acompanham pelos vídeos e eu sempre respondo: “Você precisa conhecer o trevas” [risos].

8- Quais são as principais diferenças se compararmos o atual momento em relação a quando você começou? Obrigado pelo papo!

Creio que a evolução nas produções são nítidas, qualidade e musicalidade. No início eu era mais ansioso nas produções, tinha uma mente criativa borbulhando e queria mostrar para o mundo milhões de ideias ao mesmo tempo. Se eu pudesse, produzia 10 tracks em um dia, mas creio que era coisa da idade – hoje em dia já me sinto mais experiente e mais calmo. São quase nove anos de Vegas e o Paulo já completou 31. Estou numa fase mais madura, calma e responsável. No início do Vegas eu estava com meus 22 anos, aquela idade que você quer que tudo aconteça ao mesmo tempo e no final acaba não acontecendo nada [risos]. A maturidade reflete muito na carreira artística e consequentemente no resultado das obras. Eu que agradeço vocês e nos vemos na pista dia 3 família. Eu amo vocês! #ProdutoNacional

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