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Desabafo sobre o sensacionalismo envolvendo a cena eletrônica

Estamos no ano de 2018 e a mídia brasileira ainda insiste no sensacionalismo sobre a cena eletrônica! Gente, pra quê? É muito preconceito infundado. É muita desinformação sobre algo tão complexo que até nós, os próprios fãs, temos dificuldades em entender, quem dirá os outsiders. O mundo da música eletrônica vai muito mais além dessas definições rasas que a mídia brasileira (e internacional) tenta associar às nossas festas. É muito “pra quê isso” sem saber o que dizer.
Reprodução: Ultra Brasil
Em 2016 tivemos o exemplo do Ultra Brasil, que sofreu, e sofreu muito, por causa dessa manipulação de informações, dessas associações de verdades manipuladas à uma sociedade hipócrita disposta a arruinar tudo aquilo que vai de encontro a seu conservadorismo, produzido artificialmente por informações tão superficiais quanto sua noção do que de fato significa ser fã de música eletrônica. Infelizmente, essa perseguição ao nosso mundo se perpetuará, mas cabe a nós combater essa negativação sobre uma cultura extremamente rica. E ainda mais recente do que o Ultra Music Festival no Rio de Janeiro, tivemos mais uma vitima dessa corrente de negativismo. Dessa vez em São Paulo, a Jovem Pan – marca apoiadora de diversos festivais e festas pelo Brasil – reproduziu um dos textos mais falaciosos sobre o Dekmantel que já se pôde ser lido nessa fase das nossas vidas. Fiquei sem saber o que tava “contesenu”, brasel!”
Reprodução: Felipe Gabriel
O título do texto dizia:
“Rave no Jockey Club deve atrapalhar sono e movimento de moradores da região”.
Não se enganem. Essa contextualização tem seu público-alvo já definido, mas entendam a hipocrisia da marca que apoia e divulga diversos eventos do gênero no Brasil e, aparentemente, se incomodou com o sono alheio durante as tardes/noites de um final de semana. Cheguei a pensar que era algum ataque hacker, porquê né?
Contudo, geralmente, não é o sono que incomoda. A associação mais comum em nosso meio é que se você curte música eletrônica, muito provavelmente você é usuário de drogas. Mas estes esquecem que o consumo de entorpecentes ocorre em várias esferas da nossa sociedade, inclusive na festa da firma, não é? Não sejamos hipócritas!
“Música eletrônica não é sobre drogas ou descontrole, é sobre celebrar. Repassem!”
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Reprodução: Atilla Veras
Então, já que essa mídia se esforça tanto para propagar essa opinião desvirtuada, nós iremos reforçar e mostrar aquilo que a mídia – desinformada – insiste em não mostrar: a beleza que é interagir numa festa de música eletrônica, pois “aqueles que não entendem a música julgam loucos os que dançam”. Há alguns anos atrás, li um texto que respondia muito bem sobre nossa definição de loucos. Se liga:
“Podem nos chamar de loucos, mas se a nossa musica não tem letra há uma razão.Nossa musica é única e verdadeiramente universal. Não fala de amores amargurados. Não se trata de um samba carregado de tristeza. Não expressa sonhos e aspirações profundas. Nada disso! Então entenda… Nossa música não tem letra porque deixa soar e se propagar unicamente o presente, aquele presente livre de aflições, egoísmo, posse. Se tudo o que podemos viver é o segundo imediato como fazem os recém natos ainda aprendendo a estabelecer conexões simpáticas. Estamos livres, puros e felizes! É essa música que você julga sem sentido? Será que somos nós os loucos? Nós, que na nossa tribo, em nossa meditação vara as madrugadas e permite que céus mudem de cor. Nós, sem fazer mal algum a ninguém, apenas celebrando e festejando o fim de toda a hipocrisia a nós mesmos? O que queremos nós loucos, é apenas voltar as origens, ao cosmo, ao nosso próprio corpo, à nossa própria felicidade.” – Autor desconhecido/não localizado.
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Reprodução: Atilla Veras
Em 2015, o fotógrafo pernambucano Atilla Veras, incomodado com todo esse sensacionalismo barato evidenciado constantemente pela imprensa, criou um álbum protesto intitulado “Mostra isso, imprensa lixo!”, para divulgar o que não é mostrado sobre essa realidade. Leia abaixo o depoimento dele e veja alguns clicks do álbum:
“Então, vamos começar… To criando esse álbum em forma de protesto contra a imprensa e também os frequentadores de festas rave que teimam em querer mostrar apenas o lado ruim de nossa festas e festivais. Antes de eu começar a frequentar raves e festivais, eu também era preconceituoso em relação ao que ocorria nas raves, ou melhor, por conta do que eu ACHAVA que ocorria. E esse preconceito vinha justamente das fontes que eu tinha acesso, que eram jornais e vídeos de bastante mau gosto na internet. Sempre achei que aquilo ali era sim um antro de drogados, que frequentavam as festas com o único intuito de usar suas drogas com liberdade. Infelizmente, fui enganado muito tempo por essa mídia sensacionalista, que vive alimentando o povo de desgraça em todos os sentidos. Até que um belo dia, meu amigo conseguiu me arrastar pra uma festa, e aí, amigo, foi amor a primeira dança! Eu não conseguia descrever o que eu tava sentindo naquele lugar. Uma energia tão boa, que me consumia e e me fazia esquecer de todo o mundo problemático lá fora. Então, inevitavelmente, fui seduzido por esse mundo lindo, que é muito mais profundo do que você, que está ai fora comendo corda de jornalistazinho mal intencionado, pode imaginar. Não to aqui pra dizer que lá ninguém se droga. Não sou hipócrita a esse ponto, claro. Tem droga sim, mas, não é só isso. Tem muito mais coisas boas que ruins. Casos isolados de mortes por overdose, surtos psicóticos por causa do uso de drogas sintéticas, sempre recebem os holofotes da imprensa sebosa, que faz de tudo pra queimar nosso cenário. Mas, nós somos resistentes e sabemos que somos muito mais que isso que tentam lhe mostrar. Nesse álbum, tento lhes passar através de minhas fotos, feitas em diversas festas e festivais por todo o Brasil, o que realmente é a cena trance. A alegria, a liberdade, a fraternidade e todo sentimento bom que sempre nos acompanham em nossas jornadas psicodélicas, Então, amigo. Você que tá ai, emprenhando pelos ouvidos e olhos, façam-nos um favor: Vem conhecer nosso mundo, e daí, com suas próprias percepções, poderás nos criticar. Mas, não me responsabilizo se – assim como eu –  você se apaixonar e não querer nunca mais sair desse mundo!” – Atilla Veras.
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Reprodução: Atilla Veras
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Reprodução: Atilla Veras
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Reprodução: Atilla Veras
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Reprodução: Atilla Veras
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Reprodução: Atilla Veras
Para conferir o álbum completo, clique aqui.
Bom, depois desse desabafo, só nos resta nos orgulhar sobre o todo que construímos, pois essa é nossa resposta. A mídia pode sim propagar discursos distorcidos e arquitetados pra nos pintar como rebeldes. Mas nós sabemos que no fim o que importa são nossos sorrisos, nossa celebração e nossa energia. Essa imagem que pintam sobre nossa cena nada mais é que um rabisco no canto da tela, que pouco interfere na grande arte que é ser fã de música eletrônica.
Texto escrito por Vinicius Arcelino

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